Idosa analfabeta e adolescente com problemas auditivos têm poesias publicadas
Livro é iniciativa da Prefeitura de São Gonçalo

Aos 79 anos, a pensionista Maria da Penha Alves Pimenta nutria o sonho de passar para o papel tudo o que tinha em sua “mente fervilhante”. Analfabeta, ela esbarrava com a impossibilidade de transmitir todas as suas ideias. Mas o que parecia um problema, foi solucionado por uma atividade no Centro de Referência e Assistência Social (Cras) de Vista Alegre, bairro onde vive. Maria da Penha decidiu contar algumas trovas que sabia em uma atividade do local e quatro delas foram publicadas no livro “Poesias do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos”, que reuniu 20 produções de moradores de diferentes bairros da cidade de São Gonçalo.
“Nasci na roça no Espírito Santo e lá não tinha escola. Aos 19 anos, vim para São Gonçalo e, um ano depois, fui registrada. Casei no mesmo ano e até tentei estudar na vida adulta, mas infelizmente não consegui absorver os conteúdos. Meu sonho sempre foi escrever um diário. Minha mente é um computador e queria contar tudo o que tem aqui dentro. Quase não acreditei quando me falaram que minhas trovas iriam parar em um livro. Aos 79 anos, me sinto viva”, contou Maria, mãe de 10 filhos, sendo cinco com vida.
O livro em que Maria da Penha faz parte foi desenvolvido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo. A ideia do livro surgiu a partir do concurso Café com Poesia, realizado em todos os Cras. Dentre as atividades realizadas no serviço estão o acesso a diferentes expressões culturais e artísticas, de forma gratuita, dentre elas, a escrita.
E foi a paixão pela escrita que levou a jovem Juliana Pacheco, de 16 anos, a enviar nove poemas para a seleção. Aluna do Ciep 121 – Professor Joadelio Codeço, em Marambaia, foi ela quem conquistou o primeiro lugar na premiação que homenageou três escritores. Juliana tem audição comprometida e conta com a ajuda da amiga Gisella da Silva, de 16 anos. Amigas desde a 1ª série, Juliana escreve e Gisella lê e aconselha a amiga na criação.
“Na minha escola teve uma atividade de leitura e produção textual que me despertou o prazer da leitura. Eu vi que também poderia dar asas à imaginação. Foi então que resolvi escrever e fiquei surpresa com a conquista do primeiro lugar. Posso falar que não é fácil ter um comprometimento na audição. Mas hoje, acho que minha turma é bem mais colaborativa comigo”, explicou.