Famílias mantêm tradição de visitar cemitérios no 'Dia de Finados'
Um dos locais mais visitados foi o do Palhaço Carequinha

A celebração de Finados foi marcada ontem por muitas homenagens, nos principais cemitérios de São Gonçalo e Niterói que reuniram milhares de visitantes durante todo o dia.
Como fazem todos os anos, as irmãs Regina Sônia e Maria Angélica Oliveira, de 66 e 54 anos respectivamente, fizeram questão de visitar o túmulo de seus parentes, no Cemitério de São Miguel, em São Gonçalo. Mas antes elas compraram belas flores como forma de homenagear os que já partiram. “Temos muitos parentes enterrados aqui e visitamos o cemitério tradicionalmente nesta data. Vou levar uma flor para cada um. Isso nos faz bem”, contou Regina. Flores também foram adquiridas pela professora Via Alves, 55, que pela primeira vez visitava o cemitério nesta data. “Minha ex-sogra faleceu este ano e cuidei dela por 21 anos até sua partida. Éramos muito ligadas e não tinha como não virhomenageá-la”, disse. As irmãs portuguesas Gracinia Miranda, 73, e Virginia Lopes, 75, chegaram cedo para arrumar o jazigo perpétuo da família, no mesmo cemitério.
“Meu pai adquiriu esse jazigo há mais de 50 anos, e ele foi um dos primeiros sepultados aqui. Gostamos de vir aqui nesse dia para cuidar e enfeitar tudo. É uma forma de manter viva a lembrança”, contaram.
O comerciante Wellington Monteiro, 49, também orou por seus parentes.
“Eu venho uma vez por ano e gosto de fazer minhas orações”, afirmou.
Carequinha – Um dos túmulos mais visitados no cemitério, no entanto, foi o de George Savala Gomes, o Palhaço Carequinha. A servente Luzimar da Silva, 52, que faz parte da Legião de Maria da Igreja São Pedro do Alcântara, se emocionou ao comentar sobre o artista.
“Há muitos anos venho ao cemitério para orar e sempre passo pelo túmulo dele (Carequinha). Ele marcou minha vida e a de meus filhos. Era um homem de muito alegria e tenho muito orgulho dele ser de São Gonçalo. Até hoje canto as músicas dele para meus netos”, disse chorando.
Vendas - Em tempos de crise, o Dia dos Finados é sinônimo também de renda extra para muitos. Trabalhando com flores há mais de 50 anos, Antônio Ferreira de Melo, 69, levou seus produtos para a rua. “Um amigo pediu para dar uma força. Essa é a primeira vez que faço as vendas na rua. A procura está boa, graças a Deus”, contou.
Ritual de pedidos para 'Paulinho Milagreiro'
No local, o tumulo do menino Paulo César de Souza Medina, o Paulinho Milagreiro, que morreu afogado aos 8 anos, na Lagoa de Piratininga, recebeu muitas visitas e homenagens. Desde que morreu, em 1972 , muitos milagres foram atribuídos a Paulinho. Durante o feriado de finados, os devotos depositaram brinquedos, na maioria carrinhos, no túmulo do garoto, na esperança de terem seus pedidos atendidos.
“Há muito tempo venho pedindo a intercessão de Paulinho e tenho sido atendida em muitas graças. Cerca vez, meu filho iria visitar para a África e vim aqui e peguei um carrinho e pedi que ele levasse como amuleto. Ele passou por muitos percalços, mas venceu todos graças ao Paulinho. Venho aqui várias vezes por ano para orar e agradecer. Hoje quis vir falar para mãe dele o quanto o filho dela é importante”, contou.
A mãe de Paulinho, Itacy de Souza Medina, de 74, chegou logo cedo para recolher os brinquedos que serão doados um orfanato em Vendas das Pedras.
“Fico feliz em saber que atribuem tantas coisas boas ao meu filho. Isso me consola pela perda dele, mas é para sempre uma lacuna vazia na minha vida. Uma mãe nunca esquece, mas me alegra ouvir tantas histórias motivadoras em relação ao Paulinho”, afirmou.