Família de mulher que estava com feto morto na barriga acusa maternidade de negligência
Hospital não tinha leito para a jovem

Por Marcela Freitas e Juliana Bittencourt
Com um feto morto na barriga desde o início da semana, parentes da manicure e moradora do Jardim Catarina, Daiana da Silva Martins Ramos, de 29 anos, acusam médicos da Maternidade Municipal Mário Niajar, em Alcântara, São Gonçalo, de negligência com a paciente.
A gestante deu entrada na unidade na última segunda-feira e, segundo a família, somente na noite de quarta, ela conseguiu expelir o bebê. Além disso, ainda de acordo com os parentes, a jovem ficou sentada em uma cadeira por falta de leito. O diretor médico da unidade, Mauro Bustamante, garante que o procedimento de aguardar expelir o feto de forma natural foi correto, já que Daiana tem problemas cardíacos e é hipertensa.
“A paciente está em sua quarta gestação, e os três outros partos foram normais. O processo utilizado neste caso é de indução, e o tempo para isso ocorrer depende de cada organismo. A paciente passa por exames periódicos e está com a pressão controlada sem qualquer prejuízo a sua saúde. Não teria porque fazermos uma cesariana e colocá-la em risco. Ela está sendo acompanhada e não há com o que se preocupar”, explicou Bustamante.
Segundo a mãe de Daiana, a auxiliar de serviços gerais, Roselene Rosa da Silva, 48, o parto só ocorreu após intervenção de sua sobrinha que é enfermeira e solicitou à diretoria do hospital que aplicassem medicamentos para induzir o nascimento.
Daiana estava grávida de 23 semanas e descobriu por acaso que seu quarto filho já estava sem vida em seu ventre.
“Ela foi fazer uma ultrassonografia para descobrir o sexo, e o bebê estava sem batimentos. A médica disse que o couro cabeludo já se desprendeu e o mais provável é que o feto tenha parado de evoluir no último sábado. Trouxemos-na para cá, mas nem leito tinha para ela. Os lençóis e cobertores que ela usa são da minha casa. Os médicos falaram que ela tinha que expelir. Mas meu receio é que minha filha contraia uma infecção e venha a óbito. Ela tem outros três filhos para cuidar que chamam por ela o tempo todo”, relatou Roselene.
Explicações - Sobre a falta de leito, o diretor médico da unidade, Mauro Bustamante, disse que a unidade funciona quase sempre com sua total capacidade.
“Temos enfermarias em obras, e os leitos estão com sua totalidade ocupados. Os pacientes mais graves são colocados em leitos. Quanto às roupas de cama, o fluxo de material usado é muito grande e necessitamos que a lavanderia nos entregue para fazermos as trocas. A paciente já foi encaminhada para o leito”, afirmou.