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Alunos e professores protestam contra otimização de turmas no Alcântara

Membros do C.E. Pandiá Calógeras se uniram

relogio min de leitura | Redação 10 de agosto de 2017 - 09:30
Profissionais da educação e alunos fizeram manifestação pela reabertura de turmas nas escolas pelas principais ruas de Alcântara .
Profissionais da educação e alunos fizeram manifestação pela reabertura de turmas nas escolas pelas principais ruas de Alcântara . -

Por: Daniela Scaffo

Alunos e professores do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, em Alcântara, São Gonçalo, se uniram em uma só voz para protestar a respeito da “otimização” da educação, proposta do secretário da pasta, Wagner Victer. Segundo os manifestantes, 17 turmas da escola já foram fechadas desde janeiro deste ano. De acordo com dados do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), outras quatro escolas do município passaram pelo processo e duas correm o risco de terem o turno fechado.

Com as 'baixas' das turmas, os estudantes reclamaram da superlotação das salas de aula. A medida também fez com que professores procurassem outras escolas para dar aulas, em bairros mais distantes.

A mobilização - iniciada em frente a escola e que seguiu até a altura de um shopping em Alcântara - também tinha objetivo de relatar a falta de infraestrutura do prédio, que encontra-se sem bebedouros e ventiladores, com mesas e cadeiras quebradas, salas com goteiras ou sem pintura, além da falta de material em laboratórios, bibliotecas, informática, quadra de esportes e salas de aula.

"A otimização visa fechar várias escolas, em um raio de três quilômetros. Tem 20 anos que dou aula no Pandiá e essa é uma medida inaceitável. Essa é uma das maiores escolas de São Gonçalo e sofreu uma um prejuízo que prejudica tanto os professores quanto os alunos", disse o professor de sociologia, André Luiz Souza, de 55 anos.

O também professor Luiz Claudio de Almeida, 55, que leciona filosofia na unidade, relacionou o aumento da violência urbana com o fechamento das turmas.

"O que está acontecendo na saúde, eles estão querendo fazer na educação. Com isso, a tendência é a violência urbana só aumentar, porque não se combate criminalidade apenas com polícia, mas principalmente com educação de qualidade", comentou.

Paula Ágda, 19, que estuda no segundo ano do ensino médio do Pandiá reclamou da medida da Secretaria de Educação. "Não podemos deixar essa situação acontecer. Se o Pandiá fechar, onde todos esses alunos irão estudar, já que muitas escolas então enfrentando verdadeiros sucateamentos?", indagou. 

Em solidariedade com os membros do Pandiá Calógeras, alunos de outras unidades também participaram da manifestação. Esse foi o caso da estudantes do Ciep 122 - Professora Ermezinda Dionizio Necco, localizado no Jardim Miriambi.

"A educação é a única arma que pode derrubar o governo, e é por isso que eles estão tratando desse jeito. Se a minha escola for fechada, terei que andar até outro bairro mais distante, o que será o caso de muitos outros estudantes prejudicados", contou Iasmin Maria Pinheiro, de 17 anos, que mora no Miriambi.

A estudante Aritusa Bernando, 16, também estuda no Ciep 122 e explicou que participou da manifestação por acreditar que a realidade deve ser mudada enquanto dá tempo.

"Se nos juntarmos agora, teremos como mudar essa realidade. Nosso papel estamos fazendo: tentando salvar nosso futuro e dos nossos filhos com relação a educação de qualidade", explicou.

Sepe

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) denunciou ao Ministério Público, o sucateamento do ensino público estadual através da chamada “otimização” da educação. No final de junho, o sindicato discutiu o tema na Assembleia Legislativa (Alerj), mas até hoje a portaria não foi revogada.

"Temos tentado fazer diversos atos chamando atenção da mídia e da população. A medida da Seeduc diz que escolas com turnos de menos de 100 alunos podem 'desaparecer'. Nenhuma escola deve ser fechada por causa da quantidade de alunos, pois as unidades deveriam ser atrativas para os estudantes e não deixarem de existir. Isso só aumenta o número de crianças e jovens fora das escolas. Estamos brigando para tentar reverter essa situação", contou uma das diretoras do Sepe, Maria do Nascimento.

A Secretaria de Educação negou que 17 turmas do Pandiá Calógeras foram fechadas. Em nota, o órgão disse, no entanto, que "nesta escola, seis turmas, que contavam com menos de 20 alunos da mesma série e mesmo turno, foram otimizadas, sem exceder a capacidade física da sala de aula estabelecida por lei e sem transferência de unidade ou turno. A Secretaria informa ainda que os ajustes nas turmas são feitos todos os anos, pois é uma obrigação legal". A Secretaria  de Educação também disse que não procedem informações sobre precariedade em equipamentos escolares da unidade. 

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