INSS libera motorista de ônibus com pânico para voltar a dirigir

Sofrendo com problemas psiquiátricos, André Luiz Souza Costa, de 40 anos, trava luta com o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) para garantir a continuidade de seu benefício por invalidez. Com baixo reflexo e com a capacidade intelectual afetada pelo uso de uma série de medicamentos controlados, André foi liberado pelo INSS, em dezembro, para voltar às atividades depois de ficar cinco meses ausente do trabalho.
André trabalhou como motorista de ônibus durante sete anos e desenvolveu problemas psiquiátricos após uma série de ocorrências dentro do coletivo, como roubo, sequestro e até agressões físicas. Apesar de ter sido liberado por peritos do INSS, seus médicos – uma psicóloga e um psiquiatra – não o deram alta e pediram a continuidade do benefício. Hoje, ele vive de doações de amigos e do auxílio dado por sua mãe, Nilda Souza, 67, que trabalha com reciclagem.
“Não tenho condições de pegar um ônibus e dirigir. Fico em pânico só de pensar. E sem os remédios eu não posso ficar porque fico muito nervoso. Não consigo trabalhar. Gostaria muito de ter vida normal, mas não estou conseguindo”, disse.
Com perícia marcada para o próximo dia 17, André disse que cairá em pendências porque faltam documentos. “Eu não posso voltar ao trabalho porque não posso colocar a minha vida e a de terceiros em risco. Só queria fazer meu tratamento tranquilo e não consigo. Essa falta de recursos está me deixando ainda mais doente. Ver minha mãe nessa idade trabalhando para cuidar de mim é doloroso. Eu é que deveria estar ajudando ela. Tenho quatro filhos e preciso que reconheçam a minha incapacidade para que eu tenha minha dignidade de volta”, afirmou.
A assessoria de imprensa do INSS foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento desta edição. (Marcela Freitas)