Estado e Prefeitura do Rio desrespeitam liminar
Inconformada com a demora do Governo do Estado e do município do Rio de Janeiro em fornecer um medicamento importado, a família do aposentado Luzelviro Sena, 60, pede justiça. Portador de Mieloma Múltiplo, um câncer na medula óssea, ele precisa de uma medicação específica – Bortezomibe – que, pela lei, deve ser fornecido pelo governo.
Apesar de haver uma liminar para que o fornecimento seja cumprido, desde 17 de maio até o momento, a família não teve qualquer resposta. Eles ainda precisam garantir os remédios paliativos para controle de colesterol e pressão, como sinvastatina, losartana, anlodipino e outros, que também não estão sendo fornecidos. Somente a receita para a medicação específica no combate à doença - 24 ampolas para duração de seis meses - custa cerca de R$ 60 mil.
Internado há três meses, o aposentado só poderá pensar na alta médica depois que essa medicação começar a ser aplicada. “A doença baixa muito a imunidade e, com isso, ele fica exposto. O medicamento é fundamental para elevar os níveis imunológicos e garantir a recuperação, já que a doença não tem cura, mas se for tratada de forma correta e regular, responde bem ao medicamento e devolve a ele qualidade de vida”, desabafou Renata Santos, filha do aposentado.
Sem conseguir arcar com esse custo e sem poder esperar mais do poder público, a família de Luzelviro lançou uma campanha na internet: “Todos por Luzelviro Sena”. Quem puder ajudar com qualquer quantia ou com a doação dos remédios, a lista dos medicamentos e os dados bancários estão disponíveis na página da campanha no Facebook. Sem querer perder as esperanças, a irmã de Luiz, Luzimar Sena dos Santos, 56, torce para que a resposta do poder público chegue o mais rápido possível.
“Por enquanto, a única coisa que temos é que estão em processo de compra do remédio. Mas não deram nenhum prazo. A campanha está atingindo muita gente, mas com essa crise está complicado para todo mundo. Estamos muito longe de conseguir o que precisamos e nossa esperança é o governo cumprir o que a lei determinou”, desabafou.
A assessoria de imprensa do Hemorio informou que o paciente está sendo tratado com medicação adequada ao seu quadro clínico, equivalente ao Bortezomib. Já a assessoria da Central de Mandados Judiciais da Secretaria de Estado de Saúde informou que o medicamento está em processo de compra. A assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio de Janeiro não deu retorno até o fechamento desta edição.