Projeto 'Eu sou +1' ganha novo núcleo no Mutuapira

Por Cyntia Fonseca
Dois anos, muito trabalho e motivos para comemorar. Idealizado em 2015 por ex-pescadores da Praia Esso, no Pontal, em São Gonçalo, o projeto “Eu sou + 1” não para de render frutos. Há três meses, o grupo abriu um novo núcleo no bairro Mutuapira, e cerca de 12 crianças recebem aulas gratuitas de violino e flauta doce semanalmente. O SÃO GONÇALO foi o primeiro veículo de comunicação a divulgar o projeto social.
Com o crescimento do trabalho realizado no Pontal, o coordenador do projeto, Daniel Freire, de 40 anos, viu a necessidade de estendê-lo para atender a crianças e adolescentes também do Mutuapira. Afinal, o objetivo social começou a se tornar realidade: algumas crianças que iniciaram no projeto e aprenderam violino, hoje já retornam como monitores e auxiliam a professora nas aulas.
Atualmente, o novo núcleo, que funciona no espaço cedido pela Igreja Assembleia de Deus do Mutuapira, conta com 10 violinos e nove flautas, e as aulas são realizadas pela educadora musical e clarinetista Ana Laura Simão, 21.
Para a professora, o enriquecimento cultural e social que acontece no projeto é mútuo. “O aprendizado musical exige esse vínculo maior entre professor e aluno, e cada vez mais eu vou vivendo uma coisa que me propus a fazer, que é aprender a apreender do aluno a quem eu ensinar. É uma ferramenta de inserção cultural e promoção artística sim, mas de uma forma que eles possam criar, fazer a própria música, ter um encontro com a arte, sendo autores do processo”, comentou.
Iniciativa está concorrendo prêmio da ONU
A ideia que começou pequena na Associação de Moradores e Pescadores do Pontal vem rendendo mais do que parcerias e apresentações musicais pelo estado. Com o trabalho de desenvolvimento social realizado nas comunidades, o “Eu Sou + 1” está concorrendo ao Prêmio Incluir 2017, de empreendedorismo inclusivo da Agência da Onu e Sebrae.
O objetivo da seleção é mapear e reconhecer modelos de negócios que promovam a inclusão e outros impactos positivos na sociedade. Os organismos parceiros reconhecerão não apenas os que já têm o próprio negócio, mas também os que sonham em se tornar empreendedores. A chamada é aberta a microempreendedores individuais e potenciais empresários que atuam em zonas urbanas ou no campo.
O resultado está previsto para agosto, com data ainda a definir. Assim como nas aulas ministradas no Pontal, a idade das crianças variam, a partir de 7 anos. Animadas com a magia de aprender um novo instrumento, elas são pontuais, dedicadas às aulas e algumas sonham com um futuro na música. “Eu vou ser trompetista”, disse, sorrindo, o pequeno Silas, de 12 anos.
Para o pastor Valdair da Cruz Silva, 41, responsável pela igreja, a importância do trabalho é imensurável. “Conheci o projeto por meio de um amigo em comum, que escolheu nossa igreja em meio a tantas outras. E eu não pensei nem duas vezes, porque é um projeto para a comunidade, e o Mutuapira está precisando disso, de ter algo que envolva as crianças, que hoje só querem saber de ficar no celular, em redes sociais. Estou muito feliz de partilhar disso, pois, mesmo sem divulgação, as pessoas passam e ouvem o som dos instrumentos, e ficam encantadas, querem assistir. É algo diferente ouvir um violino ou uma flauta dentro de uma comunidade”, contou o pastor.
Importante parceria - Outra recém-conquista do projeto é a parceria com o Instituto Ativa Mares, cuja sede funciona em Copacabana, Zona Sul do Rio. Atuando desde 2006 com projetos sociais em diferentes locais do estado do Rio, o instituto, que tem o mesmo cunho social do “Eu Sou +1”, pode proporcionar a regularização do trabalho realizado como projeto.
“Com o Instituto Ativa Mares, conseguimos deixar de ser um grupo para ser um projeto de fato, com CNPJ e tudo organizado. Como grupo, recebíamos doações, mas para patrocínios, por exemplo, ou para realizar estudos ou pesquisas ambientais e sociais, hoje já podemos graças a essa parceria com o instituto”, explicou Daniel Freire.
Apesar da expansão do projeto e da parceria, o “Eu Sou +1” segue funcionando com a colaboração de voluntários, sem qualquer fim lucrativo e precisa de doações, tanto para a manutenção dos instrumentos e compra de novos quanto para a remuneração da professora.