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Uma espera difícil em SG

Vítima da síndrome de Guillain-Barré, dona de casa precisa de medicamentos em hospital

relogio min de leitura | Redação 17 de junho de 2017 - 08:30
Carla Soares se desespera com a demora da medicação que pode melhorar estado da mãe, internada no Hospital Alberto Torres
Carla Soares se desespera com a demora da medicação que pode melhorar estado da mãe, internada no Hospital Alberto Torres -

Por Sérgio Soares e Letícia Lopes

Dez dias de uma espera angustiante: diagnosticada com síndrome de Guillain-Barré, a dona de casa Nádia Aparecida Soares Herculano, de 57 anos, está internada no Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), no Colubandê, em São Gonçalo, desde a última quarta-feira, à espera de tratamento.

Durante a comemoração do aniversário da neta, no último dia 4, Nádia reclamava com a filha, Carla Renata Soares, 31, sobre ‘peso’ nas pernas e formigamento nos dedos das mãos. No dia seguinte, a situação piorou e a dona de casa foi pouco a pouco perdendo a sensibilidade e controle dos músculos.

Carla levou a mãe até o HEAT, onde foi atendida e mandada de volta para casa. “Eles falaram que ela tinha que procurar algum neurologista”, lembrou. O médico particular que atendeu a moradora da Estrela do Norte disse que ela estava com um princípio de AVC e prescreveu uma medicação, mas Nádia continuou sentindo os sintomas.

Na noite do dia 7, já sem conseguir andar e com dificuldades respiratórias, Nádia voltou ao HEAT e foi levada para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde respira com ajuda de aparelhos. Com a suspeita da síndrome, os exames foram realizados e a doença foi comprovada. À família, a direção informou que a medicação é fornecida pela Fundação Oswaldo Cruz. Em contato com a Fiocruz, no entando, Carla foi informada que a medicação não foi solicitada. “Na quarta feira (15) eu liguei pra Fiocruz, e eles me falaram que não tinha nenhum pedido de medicamento no nome da minha mãe”, contou. Com a irmã em período de resguardo e o pai hipertenso, Carla tem uma preocupação tripla. “Eu já não sei mais o que fazer, não quero mais ver minha mãe daquele jeito. Se eu pudesse comprar o medicamento, compraria, mas eu não tenho condições. Se eles sabem que tem risco, que é grave, porque eles não correm com isso?”, desabafou.

Na manhã de ontem (15), em reunião com a direção da unidade, a irmã de Nádia, Rose Mere, e o marido, Carlos, foram informados que a medicação não virá mais da Fiocruz, e sim da Farmácia Estadual de Medicamentos Especiais (Riofarmes).

Segundo o neurologia Henrique Prado, do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), a síndrome é aguda e demanda cuidados urgentes. “A espera de dez dias pode acarretar à ela dores crônicas, fraquezas musculares que podem se perpetuar por meses ou por toda a vida, ou até mesmo a síndrome em si pode se tornar crônica”, explicou.

A doença - A síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica de caráter autoimune que ocorre quando o sistema imunológico - responsável pela defesa do corpo contra organismos invasores - ataca os próprios nervos. O dano nervoso provocado pela doença provoca formigamento, fraqueza muscular e até mesmo paralisia, e os sintomas podem piorar rapidamente. A doença não é de notificação obrigatória, o que faz com que não haja dados nacionais de registros da síndrome.

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