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SG vira despejo de Niterói

Entulho da obra do Mergulhão da Praça Renascença é jogado em terreno no Jardim Catarina

relogio min de leitura | Redação 30 de maio de 2017 - 10:00
Os órgãos competentes vão apurar as circunstâncias em que grande quantidade de entulhos está sendo jogada no Jardim Catarina
Os órgãos competentes vão apurar as circunstâncias em que grande quantidade de entulhos está sendo jogada no Jardim Catarina -

Por Marcela Freitas

O Mergulhão da Praça Renascença, no Centro de Niterói, promete ser mais um meio para desafogar o trânsito na cidade. Em contrapartida, a sua obra causa transtornos e danos ao meio ambiente em Jardim Catarina, em São Gonçalo. Um terreno no bairro está sendo usado para descarregar os entulhos da construção que, além de afetar o manguezal, está destruindo a Rua Marques de Resende.

A autorização para aterrar a área é questionada por pessoas da comunidade que, há mais de oito meses, convivem com o trânsito diário de cerca de 60 caminhões de terra vindos das obras do mergulhão. O local, até então preservado e com grande diversidade de fauna, perde espaço para montanhas de terra, que mudaram a aparência verde da região.

Na placa, instalada pela empresa RCC Darizo Testahy, há a informação de que se trata de terraplanagem autorizada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Entretanto, no local, não há nenhuma construção em andamento e o endereço que consta no letreiro não corresponde com o nome da via: Gil Hipólito.

A assessoria de imprensa do Inea confirmou, através de nota, que não tem registro de autorização de depósito de resíduos da construção civil em área imprópria na região e que uma equipe do órgão irá ao local para apurar a denúncia.

Um dos problemas no local é a destruição da Rua Marques de Resende por causa da grande circulação de veículos de grande porte. A movimentação deixa crateras, que viram verdadeiras piscinas com muita lama durante os dias de chuva.

Para piorar a situação, na esquina dessa rua existe uma creche da prefeitura. Quando chove, os alunos chegam ao local sujos por causa da lama. Quando faz sol, a poeira levantada pelos veículos atrapalha durante a hora do recreio, pois o pátio é a céu aberto.

“Essa rua alaga com frequência. Mas a água escoava para o Rio Alcântara, que fica no final da mata. Agora, com tanta lama, é certo que a água ficará represada. Essa é uma tragédia anunciada”, afirmou um morador.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Gonçalo informou que, após denúncias de moradores e análises do contrato firmado durante a gestão anterior, entendeu que a licença expedida para prática de despejo de materiais no terreno citado não era recomendável, cancelando a autorização. No entanto, a empresa conseguiu liminar permitindo o despejo de entulhos no local.

A nota diz ainda que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente recorreu da decisão da Justiça. Quanto às condições da via, a Subsecretaria de Conservação e Obras enviará uma equipe ao local para verificar a demanda e tomar as providências necessárias.

A assessoria da Prefeitura de Niterói, responsável pela obra com a Concessionária Ecoponte, informou que esta questão não está sob a responsabilidade da Prefeitura, mas da Ecoponte. A assessoria da Concessionária Ecoponte informou que todo o material proveniente das escavações da obra do mergulhão é encaminhado para aterros devidamente licenciados pelos órgãos ambientais competentes. A Ecoponte informou, ainda, que as principais escavações do mergulhão começaram há cerca de duas semanas.

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