SG vira despejo de Niterói
Entulho da obra do Mergulhão da Praça Renascença é jogado em terreno no Jardim Catarina

Por Marcela Freitas
O Mergulhão da Praça Renascença, no Centro de Niterói, promete ser mais um meio para desafogar o trânsito na cidade. Em contrapartida, a sua obra causa transtornos e danos ao meio ambiente em Jardim Catarina, em São Gonçalo. Um terreno no bairro está sendo usado para descarregar os entulhos da construção que, além de afetar o manguezal, está destruindo a Rua Marques de Resende.
A autorização para aterrar a área é questionada por pessoas da comunidade que, há mais de oito meses, convivem com o trânsito diário de cerca de 60 caminhões de terra vindos das obras do mergulhão. O local, até então preservado e com grande diversidade de fauna, perde espaço para montanhas de terra, que mudaram a aparência verde da região.
Na placa, instalada pela empresa RCC Darizo Testahy, há a informação de que se trata de terraplanagem autorizada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Entretanto, no local, não há nenhuma construção em andamento e o endereço que consta no letreiro não corresponde com o nome da via: Gil Hipólito.
A assessoria de imprensa do Inea confirmou, através de nota, que não tem registro de autorização de depósito de resíduos da construção civil em área imprópria na região e que uma equipe do órgão irá ao local para apurar a denúncia.
Um dos problemas no local é a destruição da Rua Marques de Resende por causa da grande circulação de veículos de grande porte. A movimentação deixa crateras, que viram verdadeiras piscinas com muita lama durante os dias de chuva.
Para piorar a situação, na esquina dessa rua existe uma creche da prefeitura. Quando chove, os alunos chegam ao local sujos por causa da lama. Quando faz sol, a poeira levantada pelos veículos atrapalha durante a hora do recreio, pois o pátio é a céu aberto.
“Essa rua alaga com frequência. Mas a água escoava para o Rio Alcântara, que fica no final da mata. Agora, com tanta lama, é certo que a água ficará represada. Essa é uma tragédia anunciada”, afirmou um morador.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Gonçalo informou que, após denúncias de moradores e análises do contrato firmado durante a gestão anterior, entendeu que a licença expedida para prática de despejo de materiais no terreno citado não era recomendável, cancelando a autorização. No entanto, a empresa conseguiu liminar permitindo o despejo de entulhos no local.
A nota diz ainda que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente recorreu da decisão da Justiça. Quanto às condições da via, a Subsecretaria de Conservação e Obras enviará uma equipe ao local para verificar a demanda e tomar as providências necessárias.
A assessoria da Prefeitura de Niterói, responsável pela obra com a Concessionária Ecoponte, informou que esta questão não está sob a responsabilidade da Prefeitura, mas da Ecoponte. A assessoria da Concessionária Ecoponte informou que todo o material proveniente das escavações da obra do mergulhão é encaminhado para aterros devidamente licenciados pelos órgãos ambientais competentes. A Ecoponte informou, ainda, que as principais escavações do mergulhão começaram há cerca de duas semanas.