Sem previsão para funcionar

Por Matheus Merlim
Para a classe artística, a entrega do primeiro teatro público de São Gonçalo, no Centro, em 2016, foi um marco na história cultural local. Muitas companhias nutriram o sonho de serem as primeiras a estrelar um espetáculo no novo palco, como é o caso da Companhia Resenha Teatral (CRT). A atual situação financeira do município, no entanto, impede o funcionamento do espaço, e assim o sonho parece cada vez mais distante de ser realizado. De acordo com o secretário municipal de Cultura e Turismo, Carlos Ney Pinho, as chaves sequer estão em posse da Prefeitura, porque ainda consta um débito de R$ 1,3 milhão com a construtora responsável. O teatro teve um custo total de quase R$14 milhões.
“Seria um marco histórico e emblemático para toda a classe artística se uma companhia gonçalense fosse a primeira a encenar no espaço. Enfim, um passo para o reconhecimento dos esforços dos profissionais da área que batalham para a valorização e o reconhecimento da cidade no cenário de produção e fomento das artes”, explicou a diretora da CRT, Carol Araújo, de 37 anos.
Apesar da batalha constante para emplacar espetáculos na cidade, os integrantes da companhia acreditam que o teatro tem o poder de mudar a forma de levar informação à população.
“A falta de espaço para apresentar espetáculos acaba desmotivando muitos jovens que preferem sair do município para fazer arte. Mas a gente quer fazer arte aqui, fomentar a cultura do teatro em São Gonçalo. Muitos grupos gonçalenses já fazem um trabalho, o que ainda faltam são os meios de como fazer”, declarou o ator Fernando Vasconcelos, 23.
Segundo o secretário Carlos Ney Pinho, embora a obra já esteja concluída desde dezembro do ano passado, não há nenhuma previsão de abertura oficial do teatro para a população. “No início da gestão, foi decretado estado de calamidade financeira no município e eu perguntei ao prefeito (José Luiz Nanci) sobre como ficaria a questão do teatro. Até sugeri que fosse feita uma negociação parcelando a dívida, mas a Chefia de Gabinete e a Secretaria de Fazenda informaram que enquanto não forem efetuados os salários atrasados dos servidores municipais, não haverá dinheiro para quitar a dívida do teatro. Por isso, não tenho como precisar uma data para abri-lo, pode ser daqui a dois meses ou mais tempo”, explicou Carlos Ney.