Garis de SG e Niterói comemoram o seu dia e têm orgulho da profissão

O trabalho é pesado, exige condicionamento físico, agilidade e muita responsabilidade. Assim pode ser encarada a profissão de gari, que foi comemorada ontem.
Trabalhando há cinco anos nas ruas de São Gonçalo, Marcolino Monteiro de Jesus, 58, é um exemplo. Com o sorriso estampado, ele mostra que a profissão é tão digna como qualquer outra. “As pessoas têm preconceito e, às vezes, desviam o caminho para não passar perto da gente. Mas, se há lixo na rua, eles logo notam a nossa ausência. Sou muito feliz em ser gari e tenho orgulho desta profissão”, disse.
Marcolino, que é músico, coleciona histórias, como a do dia em que achou US$ 700 em um colchão. “Nossa profissão é feita de boas histórias. Jogaram um colchão na rua e eu notei que tinha algo diferente e achei o dinheiro. Hoje, minha renda é composta também da reciclagem. Eu, que tinha vergonha de catar latinha na rua; após o trabalho, passo o tempo coletando e reciclando para ganhar uma renda extra”, disse.
Também com muita alegria e orgulho, trabalham os amigos Alexandre de Assis, 43, com 18 anos de profissão e Alcides Araujo Maia, 53, que trabalha há cinco anos na Clin. “Claro que ainda tem preconceito. Mas tenho muito orgulho do que faço. Trabalho em uma ótima empresa e faço muitos amigos por onde passo”, contou Alexandre.
Alcides contou que, certa vez, caiu do caminhão e foi um susto. “Na hora que caí, todo mundo pensou que eu havia me machucado. Levantei, tirei a poeira e continuei a coleta. Quem não tem disposição, não pode trabalhar aqui”, brincou. (Marcela Freitas)