Se fosse vivo, o profeta Gentileza teria completado 100 anos no dia 11

Se fosse vivo, o profeta Gentileza teria completado 100 anos, na última terça-feira.Durante décadas, José Datrino, o profeta, se vestia com uma bata branca decorada com apliques e carregava seu estandarte pelas ruas. Gentileza circulava, principalmente, entre as cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, pregando nas praças e nas barcas. Sua frase mais conhecida “Gentileza gera Gentileza” ficou eternizada nas suas pinturas.
Para comemorar seu centenário, diversos artistas se reuniram nos Arcos da Lapa, para comemorar a data.
“Gentileza deixou para o Rio de Janeiro uma grande contribuição para a arte pública e democrática. Nada mais adequado do que comemorar seus 100 anos”, explica Leonardo Guelman, coordenador do projeto Rio com Gentileza e um dos principais estudiosos da obra do profeta.
Além de Guelman, também idealizaram a homenagem Marianna Kutassy, Dado Amaral e Daniel Rolim. O evento foi realizado na sede do Grupo Tá Na Rua, na Lapa, e contou com a participação de familiares do profeta.
Houve apresentações de poesia, peças teatrais e música. Falas de familiares do Profeta Gentileza, performance do grupo teatral Na Boa Companhia (Ponto de Cultura), além de roda de poesia com Dado Amaral, Mano Melo, Pedro Lago, Pedro Rocha, Guilherme Zarvos, Chacal, Daniel Rolim, Monique Nix, e abertura da grande roda, com parabéns, e distribuição do bolo entre os presentes.
Vida de pregação - Nascido em Cafelândia, interior de São Paulo, Gentileza veio para o Rio de Janeiro em 1961, após ter tido uma visão, na época do Natal, que acreditara representar o fim dos tempos.
Durante mais de 20 anos, pregou pelas ruas da Capital do Estado e deixou seus pensamentos nas pilastras de viadutos. No Rio, o profeta ainda casou-se, virou dono de uma transportadora e teve cinco filhos. Considerado louco, passou por três internações.
Após um incêndio em um grande circo em Niterói, no qual mais de 500 pessoas morreram, Gentileza teve mais uma visão e resolveu dedicar-se somente ao mundo espiritual, mudando-se para o local, onde morou por quatro anos, o que gerou diversos boatos sobre sua vida.
As pessoas acreditavam que sua conversão tinha se dado porque sua família havia morrido na tragédia.
Gentileza morreu em 1996, mas sua obra se perpetuou.
Painéis tombados - A originalidade de seus painéis se espalhou por pilastras do viaduto do Caju, região portuária do Rio, nos quais pintava seus pensamentos, com uma grafia incomum.
Os 56 painéis de Gentileza já foram restaurados em duas ocasiões, por meio do projeto “Rio com Gentileza”, da Universidade Federal Fluminense, coordenado pelo professor Leonardo Guelman, que também é autor de livros sobre o profeta: “Universo Gentileza”, “Brasil Tempo de Gentileza” e “Livro Urbano do Profeta Gentileza”, este último em co-autoria com Dado Amaral e Marianna Kutassy.