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Ainda vale a pena manter o horário de verão?

relogio min de leitura | Redação 16 de fevereiro de 2017 - 14:30
Adaptação à mudança pode provocar problemas como sono fragmentado
Adaptação à mudança pode provocar problemas como sono fragmentado -

O horário de verão, que chega ao fim novamente à 0h deste domingo, divide opiniões não só da população, mas também de especialistas.

Entre os brasileiros, uns comemoram ter uma hora a mais de sol por dia, enquanto outros reclamam da imposição de adaptar a rotina duas vezes ao ano - sabe-se que o corpo humano leva ao menos 14 dias para se acostumar com o horário de verão e, enquanto isso não ocorre, problemas como falta de atenção, de memória e sono fragmentado podem ocorrer.

Especialistas em gestão de energia ouvidos pela BBC Brasil, por sua vez, concordam que a mudança de horário pode ser útil - mas há controvérsias sobre a forma como ela é aplicada e sobre transparência dos dados sobre a economia gerada.

interessante observar que esse tipo de avaliação é recorrente e invaria de ano a ano", disse à BBC Brasil.

"Isso nos faz pensar que o informe fica muito mais em função da propaganda que é feita em relação aos benefícios do horário de verão do que uma avaliação técnica mais precisa em relação ao expediente de economia de energia que ele proporciona."

De fato, de acordo com os informes anuais do ONS sobre a economia do horário de verão, a porcentagem varia entre 4 e 5% do consumo.

Entre 2015 e 2016, houve uma redução de 4,5% na demanda, o mesmo número do período referente a 2014/2015. Na edição 2013/2014, foi de 4% e, na 2012/2013, novamente de 4,5%.

Procurado pela BBC Brasil, o ONS disse que não comentaria as declarações de Bermann, nem explicaria por que a economia com o horário de verão em 2016 foi menor do que a prevista.

A reportagem também questionou o Ministério de Minas e Energia, que não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

Sales, do Instituto Acende Brasil, acredita que os dados correspondem à realidade e que a iniciativa deve ser mantida.

"O horário de verão só acha justificativa pensando na economia no deslocamento de redução da demanda no horário de ponta. Nessa ótica, acho que é relevante", afirma.

Paulo Brack, biólogo e professor de Biociências da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), é favorável à mudança nos relógios, contanto que seja aplicada junto a outras medidas de economia energética.

"Isolado, o horário de verão não surte muito efeito. Na verdade, ele poderia ter um resultado melhor se conjugado com uma política de eficiência energética", disse.

"Gastamos um absurdo no aquecimento da água de chuveiros elétricos considerando que poderíamos usar a energia solar, aquecedores baratos, enfim, investir em uma alternativa para esse horário de pico, entre 18h e 21h, quando a maioria das pessoas toma banho."

Fonte: BBC

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