‘Mais Leitura’ em São Gonçalo: fechou por quê, por que fechou?

Por Cynthia Fonseca
Com menos de um ano de funcionamento, o projeto “Mais Leitura” chega ao fim, hoje, em São Gonçalo. Fruto de uma parceria da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia com a Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, o projeto tem como objetivo estimular a leitura, disponibilizando livros com preços acessíveis à população, entre R$2 e R$4.
De acordo com o presidente da Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, Haroldo Zager, as vendas, no entanto, ficaram muito abaixo do esperado desde a inauguração, em junho de 2016. “Estamos procurando lugares com melhor visibilidade e acesso dentro de São Gonçalo. As vendas ficaram abaixo do que esperávamos, ou seja, a população não estava tendo acesso. Além disso, o convênio com a Secretaria de Desenvolvimento era por um período provisório”, explicou o presidente.
Ao saber do fechamento da agência, o promotor de vendas Alan Mendonça, 27, correu para aproveitar. Fã dos gêneros romance e ação, ele, que será papai em breve, estava também a procura de títulos sobre paternidade e encontrou o livro “Guerra de bebês”, dos escritores Robin Baker e Elizabeth Oram. “É uma pena. Não deveriam extinguir o projeto em São Gonçalo. Pelo menos duas vezes ao mês, eu vinha aqui e sempre consegui bons livros. Sem contar os preços, que são muito em conta”, comentou.
Para a professora Kelly Cardoso, 30, é lamentável o fechamento do espaço. “Como assim em menos de um ano vai fechar? Sinceramente, espero que se disponibilize outro espaço o mais rápido possível no centro da cidade para dar continuidade ao projeto. Não tem como não existir o “Mais Leitura” nessa cidade. Agora, vamos aguardar”, declarou.
Acostumada a levar o neto em livrarias e bibliotecas, a dona de casa Albilene Helena, 41, também lamentou o fim temporário do projeto. “A ideia de fechar é ruim, porque tira a oportunidade das pessoas de aprender. Levei meu neto com três anos numa biblioteca algumas vezes e lá ele simpatizou com um livro que mostrava animais que não estamos mais acostumados a ver. Foi maravilhoso e toda vez que voltávamos, ele sabia exatamente onde o livro estava, e folheava-o todo. Livro é tudo de bom”, contou.
Para a comunicadora social Lália Barros, 28, além de maior divulgação, o projeto também ficaria mais completo se fossem incluídas oficinas de leitura. “Além dos livros baratos, seria interessante oferecer oficinas de interpretação, texto, redação e literatura de maneira agradável, para estimular a compreensão”, resumiu.
Em nota, a Prefeitura informou que “há um estudo para que o local onde se encontra o “Mais Leitura” seja a Casa do Empreendedor. A Secretaria de Educação, junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, ainda está buscando um local apropriado para levar o projeto “Mais Leitura”.
A agência, que fica na Rua Coronel Moreira César, s/nº, no Centro, encerra as atividades, hoje, às 18h. Os livros novos custam entre R$2 e R$4 e na compra de 10 exemplares, um sai de graça.