‘Eu vou botar seu nome no SPC’
Maior parte das dívidas dos gonçalenses é com lojas da cidade com crédito próprio

Por Thiago Soares
A ideia de fazer compras, além de trazer uma sensação de liberdade, eleva também a autoestima. No entanto, a prática traz consigo uma série de responsabilidades. Em 2016, o gonçalense parece que se atentou apenas na primeira parte, já que 5,6 mil pessoas ficaram inadimplentes, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de São Gonçalo (CDL), e tiveram seu nome negativado no SPC/Serasa.
Diferente do que acontece em âmbito nacional, que as dívidas mais comuns acontecem com os bancos e os cartões de crédito, em São Gonçalo os maiores vilões dos consumidores têm sido as óticas e as sapatarias. Segundo a gerente geral da CDL-SG, Rosemary Peixoto, a inadimplência com estes setores acontece, pois são as poucas lojas que ainda aceitam pagamentos em crediários.
“Em nível nacional, o cartão de crédito é o grande vilão. Aqui, as lojas que aceitam crediário são as que mais estão negativando as pessoas. Outros setores comerciais já não aceitam este tipo de pagamento, até por receio da falta do pagamento”, explicou.
Morador do bairro Boa Vista, Edmilson Torres, de 46 anos, contou que teve o nome negativado após ter perdido o emprego. Sem poder pagar as contas, ele deu preferência as de primeira necessidade. “Com o dinheiro que restou, dei preferência às contas de luz e alimentação. Agora, preciso de emprego para tentar um acordo”, disse. Ao contrário de Edmilson, a aposentada Nilza Moraes, 61, revelou que não gasta mais que um determinado valor durante o mês. Segundo ela, assim sempre pode arcar com suas contas. “Eu só ganho um salário mínimo. Por isso, não gasto mais que R$300 na rua. O resto, eu pago minhas contas e ainda me sobra alguma coisa”, disse.
Nos últimos cinco anos, São Gonçalo registrou 17,7 mil novos inadimplentes. Destes, 31% apenas em 2016, mostrando que a crise afetou a situação do município. Os mais afetados são pessoas que tem entre 38 e 65 anos. “Atualmente, as causas são diferentes do que diz a história. Antes, as pessoas gastavam mais do que ganhavam. Hoje, elas não têm emprego e continuam gastando. É preciso entender que, neste momento de crise e desemprego, o ideal é comprar apenas o básico, como a alimentação, e deixar as roupas, acessórios e objetos para depois”, disse Rosemary.