Dor em dose dupla no Hospital da Mulher de SG
Após perder bebê de sete meses, paciente reclama de atendimento

Dor em dose dupla é como pode ser chamada a situação vivida pela família de uma mulher que teve a gestação interrompida e permanecia, até a noite de ontem, internada no Hospital da Mulher Gonçalense,
De acordo com familiares de Natalia, na última sexta-feira, a poucos dias de completar o sétimo mês de gestação, ela começou a sentir fortes dores no corpo, vômito e febre. Ao realizar um exame de ultrassonografia no Hospital da Mulher, no Zé Garoto, foi constatado que o bebê, uma menina que ia ganhar o nome de Mirela, já estava morta.
"Ela foi internada, domingo pela manhã, e desde então começou o nosso pesadelo. Primeiro, os enfermeiros informaram que seria feita uma cesárea. Depois, já deram outra informação, colocaram uma sonda e iam passar um remédio para ajudar a expelir o feto via parto natural. Mas não queremos isso, é muito sofrimento. Enquanto isso, ela fica lá com fome, sem poder receber ninguém", desabafou Albina Gomes, 67, avó da paciente, ainda na manhã de ontem.
Pai pela primeira vez, o companheiro de Natalia, o separador de mercadorias Marcos Adriano da Rocha, 22, também pede justiça. "É uma sensação horrível, de impotência. A gente fica sem conseguir fazer nada. O enxoval todo pronto, o chá de bebê ia ser no domingo. E nesse processo todo é a saúde dela que está em risco", desabafou.
Segundo dados do Datasus, cerca de 32 mil casos de morte do bebê ainda no útero foram registrados no Brasil em 2014. Isso significa que, a cada 93 bebês que nasceram vivos, um morreu. Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo informou que a paciente, primeiramente, se recusou a passar pelo procedimento protocolar do Ministério da Saúde, que é ser submetida à medicação para dilatar o colo do útero e permanecer em observação por 48 horas, prazo médio para a genitora expelir o feto. Ela desejava que tal procedimento fosse feito através de uma cesariana.
No entanto, no mesmo dia que deixou o Hospital da Mulher (09) à revelia da equipe médica, retornou e aceitou passar pelo procedimento. "Essa é a recomendação do Ministério (da Saúde), pois o próprio corpo humano expele as células mortas como defesa. A paciente chegou sem quadro de infecção e saudável, apesar da perda do seu bebê. A família pode ter certeza de que ela está recebendo o tratamento adequado, pois prezamos sempre pela vida das pessoas", afirmou Dimas Gadelha, secretário municipal de Saúde.