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Eles querem dançar e polemizar

relogio min de leitura | Redação 09 de janeiro de 2017 - 15:16
Bombom e as Polêmicas foi formado há três meses, mas já conta com fã clube em redes sociais e 25 mil visualizações em vídeos
Bombom e as Polêmicas foi formado há três meses, mas já conta com fã clube em redes sociais e 25 mil visualizações em vídeos -

Por Daniela Scaffo e Renê Santos

Grupo de comunidade de Niterói desponta para o mundo funk com coreografias ousadas

Mesmo sob fortes influências de um cenário de instabilidade e vulnerabilidade social, um grupo de cinco dançarinos da comunidade da Nova Brasília, na Engenhoca, Zona Norte de Niterói, ganhou destaque no mundo do funk. Os niteroienses do “Bombom e as Polêmicas” se diferenciam por incorporar coreografias inusitadas ao ritmo carioca.

O grupo, que foi formado há apenas três meses por Damiana da Conceição, a Dadazinha, de 27 anos; Carlos Junior, o Bombom, de 18; Cassiane Alves, a Morena, 17; Prisciane Santos, a Prisci, 17; e Joana Maciel, 17, já acumula quase 25 mil visualizações em vídeos publicados nas redes sociais. A ideia de unir os dançarinos foi de Bombom, o único integrante do sexo masculino do grupo. A primeira pessoa a apoiar o grupo foi Dadazinha. Juntos, os dois selecionaram as outras meninas. “Todo mundo dizia que tínhamos talento dançando, então resolvemos formar o nosso próprio ‘bonde’. Éramos apenas quatro no início, mas nosso empresário pediu para que arrumássemos mais uma integrante, para que a coreografia ficasse mais harmoniosa”, disse Bombom, que é o vocalista. O nome foi praticamente presenteado pelos fãs dos jovens. Segundo Dadazinha, o fato deles dançarem bem fez com que quem os observava evoluindo, chamásse-os de polêmicas.

“A gente sempre causava polêmica nos bailes que íamos. Agora, tudo que a gente faz é polêmica. Gostamos do nome e aderimos. O pessoal daqui da comunidade gosta muito da gente e ganhamos até fãs de outros estados, como Espírito Santo e Bahía”, contou Dadazinha.

Apesar de parecer uma rotina fácil de sorrisos e danças, os integrantes contam sobre as árduas horas de ensaios diários. Atualmente, o grupo treina aproximadamente cinco horas por dia.

“A gente inicia os ensaios sempre às 15h e só terminamos por volta de 20h, normalmente. Dançamos até pararmos de errar a coreografia, para sair tudo perfeito”, explicou Prisci.

As pretensões de serem reconhecidos no mundo todo não é para menos: apesar do pouco tempo de formação, o grupo já realizou 15 shows em bairros de Niterói e São Gonçalo e compôs dois funk’s.

“Queremos fazer o necessário para conseguir ajudar nossas famílias e as pessoas que conhecemos. Quando ficarmos bastante conhecidos, não vamos esquecer das nossas origens”, garante Bombom.

Representatividade - Além das coreografias inusitadas, o grupo conta com outro diferencial. Um dos integrantes é homossexual. Carlos Junior, o Bombom, conta que sempre foi bem aceito entre as pessoas e revela que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito.

“Quando subo nos palcos, todo mundo grita. Sou muito querido. Eu até tenho certo medo quando começo a cantar, devido algumas pessoas homofóbicas serem agressivas, mas todas as vezes que fiz meu trabalho foi maravilhoso”, disse.

A inspiração de Bombom é a cantora Ludmilla. A artista, que é natural de Duque de Caxias, despontou no mundo do funk e atualmente é considerada uma artista pop.

“Quero fazer o que gosto, que é dançar. Assim como a Ludmilla, vim de uma comunidade e quero fazer sucesso com a música”, explicou.

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