Empreender é preciso... Gonçalenses inovam e se transformam para se manter no mercado de trabalho na crise

Por Marcela Freitas
Criatividade e capacidade para mudar. Esses têm sido os principais “ingredientes” usados por muitos gonçalenses para driblar a crise e se manter no mercado de trabalho. De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada no primeiro semestre de 2016, o número de desempregados no Brasil chegou a 11,8 milhões de pessoas, colocando o país no 7º lugar do ranking do desemprego entre 51 países.
Com a taxa de desemprego crescente, surge então o chamado empreendedor por necessidade, pessoas que transformam o plano B em plano A, dando assim novos rumos à vida. Para o consultor em recursos humanos e diretor executivo da BAZZ Estratégia e Operação de RH, Celso Bazzola, a perda do emprego pode parecer difícil, mas neste momento é preciso manter a calma e não se desesperar.
“Tranquilidade e equilíbrio tornaram-se essenciais para o reposicionamento no mercado de trabalho. A ansiedade e o desespero tendem a dificultar ainda mais o raciocínio e a apresentação das habilidades técnicas e comportamentais, além de induzir a decidir por uma oportunidade qualquer, que não agregará na vida profissional, criando novo ciclo de desmotivação”, explicou. Ainda segundo Celso, quem deseja empreender deve tomar alguns cuidados para evitar investimentos realizados sem expectativa ou análise de risco. “Desenvolver um plano de negócio bem elaborado e planejado aumentará sua possibilidade de sucesso”, disse. E foi após ficar desempregada que a designer gráfico Shirlei Patrícia Muniz, de 40 anos, viu que poderia dar um novo rumo à sua vida e transformou seu hobby e a facilidade em lidar com programas de computadores em novo meio de vida. Auxiliar de compras em uma confecção de roupas, ela ficou desempregada, em 2015, e passou a realizar alguns trabalhos freelancers. Foi então que uma cliente comentou sobre a possibilidade dela hospedar uma loja online em um site de produtos da China. O negócio está dando certo e tem rendido a ela até trabalhos de consultorias.
“Todas as estampas das roupas são criadas por mim. As criações são expostas no site e vendidas para todo o mundo. Chego a vender 300 peças por mês. Minha loja ainda está a passos curtos e constantes, mas devido a exposição das minhas criações, tenho conseguido dar consultoria à outras pessoas que também desejam ter uma loja online com os mesmos produtos, mas não sabem como começar. Sinto um futuro promissor”, contou.
Irmãos investem em peixaria
Os irmãos Carlos Henrique e Cristiane de Albuquerque Marques, de 36 e 33 anos, respectivamente, montaram um negócio próprio. Carlos, que estava há dois anos desempregado, viu – após a demissão de sua irmã de uma funerária – a chance de empreender e montou uma microempresa: a peixaria Dois Irmãos, que atrai muitos clientes no Barreto, em Niterói.
“Ela tinha uma pequena lanchonete nesse ponto, que não estava dando muito certo. Há três meses, quando ela foi demitida, sugeri que abríssemos aqui no bairro uma peixaria. Não tem nenhuma aqui e a população era carente. O negócio vem dando muito certo. O trabalho é árduo. Acordamos de madrugada todos os dias para buscar peixes frescos. Mas não me vejo trabalhando em uma empresa. Estudamos agora expandir os negócios e montar outras duas peixarias. Em 2017, esse será o nosso projeto”, adiantou Carlos.
Artesanato diverso e festas por encomenda
Foi exatamente na dificuldade que a artesã Patrícia Siqueira, 27, também viu que precisava mudar. Até agosto de 2016, ela trabalhava como representante de uma marca de laticínios. Com pagamentos atrasados, ela viu a necessidade de empreender.
Quando foi demitida sem receber seus direitos trabalhistas, o artesanato passou a ser um negócio. Através de uma página na internet, ela divulga os trabalhos e aumenta sua linha de produção.
“Na adolescência, já fazia chinelos decorados. Quando me vi desempregada, tinha que, de alguma forma, ajudar meu marido. Foi então que comecei a ver alguns tutoriais na internet e aprendi a fazer novas peças. Hoje, trabalho com vários tipos de materiais”, contou. Jéssica dos Santos Rodrigues, 25, é proprietária de um buffet. Mas, até fevereiro de 2016, ela era prestadora de serviços de uma empresa de telefonia. “Em abril, produzi toda a festa do meu filho. Comprei móveis para decoração e passei a alugá-los. Vi que podia mais e resolvi me especializar. Fiz diversos cursos e aprendi a fazer bolos e doces. Logo depois, montei uma equipe e hoje ofereço pacotes fechados para festas. Trabalho realizando sonhos e sou completamente realizada. Me encontrei na crise”, garantiu.
Informação é matéria-prima para investir
De acordo com Américo Diniz, coordenador do Sebrae/RJ no Leste Fluminense, o atual cenário da economia favoreceu o crescimento, em ritmo acelerado, do Microempreendedor Individual (MEI). Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que, no ano de 2015, as microempresas (ME) representavam 26% do total de empresas no país, enquanto o MEI, 37%. Já no ano de 2016, verifica-se que houve uma redução de 2% das ME e um aumento de 4% nos negócios formalizados como MEI.
Mas para investir, Américo dá algumas dicas importantes. “É preciso fazer bem as contas, planejar e se informar muito antes de entrar em um negócio completamente diferente e novo. Informação é a matéria-prima para qualquer ação de planejamento e quanto mais precisa for, maior será a qualidade do plano de negócios”, explicou. Para aquelas pessoas que desejam investir o dinheiro da rescisão do antigo emprego em um novo negócio, Américo faz uma alerta. “O Sebrae aconselha que aqueles que receberam recursos financeiros a partir da rescisão de emprego, busquem orientações e muitas informações sobre o mercado em que pretende investir. Leia revistas especializadas, consulte o portal do Sebrae na internet, busque associações e entidades do seu segmento, participe de feiras e cursos, faça pesquisas na internet, converse com outros empresários, clientes, fornecedores e especialistas (consultores, contabilistas, advogados, sindicatos). Essas informações pesquisadas servirão para diminuir os riscos e as incertezas do negócio e, com isso, o empreendedor poderá ter maior chance de sucesso”, adiantou.