A beleza e os riscos dos fogos de artifício
Um dos momentos mais esperados nas comemorações de final de ano, a queima dos fogos de artifício reúne um misto de beleza e cores, mas também alguns perigos. A boa notícia é que eles podem ser evitados.

..Cinco, quatro, três, dois, um! A contagem regressiva para 2017 já começou. Um dos momentos mais esperados nas comemorações de final de ano, a queima dos fogos de artifício reúne um misto de beleza e cores, mas também alguns perigos. A boa notícia é que esses perigos podem ser evitados.
Segundo dados divulgados pela agência de conteúdos Ciência em Show, o Brasil tem a segunda maior cidade do mundo produtora de artefatos explosivos. A cidade é Santo Antônio do Monte, que fica no interior de Minas Gerais, e perde apenas para um município chinês. Lá, somente em 2016, foram produzidos mais de 25 mil toneladas de fogos de artifício em 72 fábricas diferentes.
Para manusear grande quantidade de explosivos, porém, é necessário tomar cuidados extras. Os especialistas Wilson Namen, Gerson Julião e Daniel Ângelo, do Ciência em Show, explicam que é preciso que a pessoa que vai manusear esteja ciente dos riscos. “Nós simulamos acidentes com os fogos de artifício e percebemos que um rojão disparado pode chegar a 150 quilômetros por hora. Se atingir uma pessoa, pode causar queimaduras graves e até a morte”, afirma Daniel.
A produção e a comercialização dos foguetes também devem contar com cuidados especiais. Edificações usadas para comércio ou fabricação devem seguir regras como, por exemplo, ser construída no térreo, em alvenaria e possuir piso incombustível. Os fogos devem possuir afastamento mínimo de 15 centímetros do piso e das paredes e 50 centímetros do teto, dispostos em prateleiras de, no máximo, dois metros de altura.
Não existe nada que comprove riscos a exposição às substâncias químicas que compõem os foguetes, mas toda prevenção é bem-vinda. “As cores dos fogos de artifício são obtidas através da adição de sais específicos na sua composição, especificamente misturado à pólvora que queima quando o foguete explode no alto. Cada sal produz uma cor diferente. Por exemplo, o cloreto de sódio, nosso velho conhecido sal de cozinha que usamos diariamente na alimentação, quando queimado, produz uma chama de cor amarela intensa. Então, quando os fabricantes planejam essa coloração, eles adicionam o cloreto de sódio”, explica Gerson.
As mais utilizadas são verde, com sulfato de cobre; amarelo, com cloreto de sódio; azul, com cloreto de cobre/ branco, com sulfato de magnésio; e vermelho, com cloreto de estrôncio.
Audição - Além do risco de manipulação incorreta dos fogos, o som muito forte produzido por alguns deles pode acarretar perda auditiva severa, trauma acústico com perda de audição uni ou bilateral, temporária ou, nos casos mais graves, irreversível.
"A perda auditiva acontece porque o estrondo dos fogos, principalmente dos rojões, é inesperado. O forte ruído, que pode chegar a uma intensidade de 140 decibéis, percorre rapidamente todo o ouvido, atingindo as células da cóclea. Para se ter uma ideia do quão forte pode ser esse barulho, um avião em decolagem produz som de 130 decibéis", explica a fonoaudióloga Isabela Carvalho, da Telex Soluções Auditivas.
A solução, segundo a especialista, é se manter o mais afastado possível do local onde vai haver explosão ou usar protetores de ouvido como atenuadores. "Dessa forma, é possível continuar aproveitando a festa de forma segura", recomenda.