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Jovem de SG ganha prêmio de melhor canção em concorrido festival

relogio min de leitura | Redação 04 de dezembro de 2016 - 13:07
O cantor e compositor Jandivison Guilherme ganhou o prêmio na Escola de Música Villa-Lobos com canção que retrata a saudade da sua cidade natal.
O cantor e compositor Jandivison Guilherme ganhou o prêmio na Escola de Música Villa-Lobos com canção que retrata a saudade da sua cidade natal. -

“Ôh sertão, mesmo que eu vá para bem longe, ser teu filho é minha vocação. Essa entre outras vidas seria minha preferida. Óh meu Deus, obrigado pela terra que é fruto do seu amor. Ôh paixão, que eu sinto pelo mato que me fez ser o mulato que hoje eu sou”. O refrão da música “Arte da Terra”, composta por Jandivison Guilherme, de 24 anos, morador do Coelho, em São Gonçalo, retrata a saudade do lugar onde nasceu e foi criado até os 16 anos: Inhaí, distrito de Diamantina, no interior de Minas Gerais. Pela quantidade de detalhes do “sertão mineiro”, a canção foi eleita a melhor na categoria júri popular, no “FestVilla 2016”, da Escola de Música Villa-Lobos, em novembro.

O motivo que levou Jandivison a deixar o interior para viver em uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes foi o leque de oportunidades. Filho do meio entre oito irmãos, ele considera a música sua essência. Não é à toa que, desde chegou ao Rio de Janeiro, sua maneira de ganhar a vida é através das notas musicais. Autodidata, ele dá aulas de violão e iniciação musical tanto na igreja em que frequenta quanto de forma particular.

“Meu irmão tinha uma guitarra e foi quando eu comecei a me interessar pela música. Como as notas são parecidas com a do violão, aprendi vendo ele tocar, na mesma época em que comecei a compor, aos 10 anos. A música ultrapassa a paixão, é minha essência. É através dela que eu consigo me expressar”, conta.

O ingresso na tradicional Escola de Música Villa-Lobos, no Rio, é recente. Na segunda tentativa, Jandivison conseguiu ganhar uma bolsa para se formar em técnico de violão, curso que começou a fazer em fevereiro deste ano. Mas a habilidade do morador de São Gonçalo é com instrumentos de cordas em geral. Tanto que na apresentação que deu o título a ele de melhor canção, o ritmo foi ditado por uma viola caipira.

“Quando surgiu a oportunidade de inscrever uma canção no FestVilla, de primeira eu não pensei na ‘Arte da Terra’, por ser uma música extensa. Fiquei com medo de as pessoas não terem paciência para ouvi-la até o final. Para minha surpresa, ela foi escolhida entre 105 canções, como uma das 10 melhores, e ganhou logo na categoria que eu mais tinha preocupação, que é a de júri popular. Ela não ficou entre as três primeiras, mas acredito que meu objetivo foi atingido, que foi levar minha história para as pessoas”, declara.

De acordo com o músico, a letra veio em um momento de saudade da terra em que nasceu, enquanto dedilhava o violão no sofá de casa.

“A ‘Arte da Terra’ não tem nada de filosófico ou conotativo, é literalmente tudo o que acontece lá, por isso essa identificação das pessoas. Eu saí de Minas, mas não perdi minhas características. Claro que, quando a gente faz uma música, não há pretensão de ser o novo Almir Sater, mas é muito gratificante ver esse reconhecimento do público”, diz.

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