Incerteza às margens da linha
Construções próximas à antiga linha férrea devem ser removidas para implantação de BRT em SG

O anúncio de que o BRT (Bus Rapid Transit) será um dos principais projetos de governo do prefeito eleito de São Gonçalo, José Luiz Nanci (PPS), voltou a gerar incertezas sobre destino de quem mora às margens da antiga linha férrea do município, que corta parte do município entre os bairros Guaxindiba e Neves.
“Moro aqui há 40 anos. Em 2013, quando prometeram obras da linha 3 do metrô, muita gente já saiu daqui, ganhou apartamento. Para nós que ficamos, no entanto, foram só promessas”, desabafou o comerciante Manoel Ferreira de Souza, 58, proprietário do Bar da Estação, que fica sobre o local onde funcionava a antiga linha férrea, na altura de Jardim Catarina. “A verdade é que estou morando igual rato.
Da outra vez, pensei que o projeto fosse andar. Derrubamos nossas casas e nada aconteceu. Estou há três anos esperando entrarem em contato, já fiz até cadastro na prefeitura. Várias pessoas que nem moravam sobre a linha férrea ganharam apartamento para sair daqui e nós ficamos. Espero que, desta vez, eles olhem por nós”, emendou o funcionário público Daniel Viegas, 51.
Na Rua Joaquim Viana, já em Alcântara, pelo menos 70 famílias poderão ser deslocadas para a passagem do BRT. “Do jeito que as coisas andam ficamos até desacreditados. Até agora, ninguém entrou em contato comigo, nem mesmo quando iriam começar as obras para o metrô. Estou aqui há 17 anos e sempre ouvi falar desses projetos. Primeiro, saiu o trem. Depois prometeram metrô e, agora, o BRT. Ou seja, são quase 30 anos de promessas. Se precisarmos sair, terão que indenizar ou garantir uma residência”, comentou o comerciante João Cabral, 58. Na Rua Alfredo Backer, uma das vias principais do bairro, e onde seria o ponto inicial do trajeto do BRT, o comerciante Evanilsom Vieira Gomes, 50, proprietário do Bar do Xuxa, acredita nos benefícios da vinda do transporte, mas alguns moradores que construíram casas ao longo da linha férrea serão prejudicados. “Da outra vez, por pouco não perdi o comércio para as obras da linha 3. Na época, apresentei o alvará e disseram que meu bar seria um dos últimos a sair. Desde então, nada aconteceu, a obra não foi concluída e não me procuraram mais”, conta Evanilsom.
Alternativa mais barata e prática para ser concretizada por meio de Parceria Público-Privada (PPP), de acordo com o prefeito eleito, o BRT terá um custo de cerca de 30% a 40% do que seria usado para a linha 3. Em fase de estudos técnicos, o projeto prevê custos em torno de R$ 800 milhões para a construção do corredor viário de 18 quilômetros de extensão, por onde passariam 78 veículos, fazendo o trajeto Alcântara-Neves.