Alunos tentam impedir que escola seja fechada

“Se fecharem a escola, a única coisa que vai ficar no nosso bairro são as bocas de fumo. Vamos perder na Educação e o tráfico vai ter que abrir novas vagas, pois sabemos que muitos alunos vão deixar de estudar e seguir para o caminho errado”. Com lágrimas nos olhos, foi assim que Jéssica Reis, 25, ex-aluna do Colégio Estadual Doutor Souza Soares, no Rio do Ouro, relatou como será o futuro de alguns alunos, se a escola for realmente fechada no fim do ano.
Um dia após se manifestarem na RJ-106, alunos, professores e pais, ainda lutam para tentar mudar a determinação da Secretaria Estadual de Educação, para que a escola feche as portas no final do ano.
Fundada em 1914, e há 48 anos no mesmo endereço, a Souza Soares atende atualmente 113 alunos, com idade entre 12 e 18 anos. “Dei aula para alunos que hoje são avós dos meus alunos. A gente tem intimidade para falar com os pais, cuidar das crianças. A Secretaria de Educação alega que aqui tem poucos alunos, mas na verdade temos a quantidade ideal para fazermos um trabalho humanitário e um excelente trabalho pedagógico”, desabafou a professora de matemática Jussara Ouvrney, de 65 anos.
“Estudo aqui desde a 3ª série e me formo esse ano, mas vou lutar para que outros tenham o mesmo direito que tive. Fechar uma escola é um ato criminoso”, desabafou Gabriel Santos, 17.
Indicada, por três anos, como uma das dez melhores escolas de Niterói, os professores do colégio Souza Soares ensinam aos alunos além das disciplinas regulares. “Sem a escola a gente vai sofrer. Nossa missão é ajudar e eu aprendi aqui que a escola é muito importante para nossa vida. Não importa cor, classe, nem religião. Importante é a educação que aprendemos aqui”, disse Wellington Meira, 19, que tem deficiência mental, e é aluno da instituição. Ele estudou em colégios especializados, mas encontrou a inclusão no Souza Soares.