Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0748 | Euro R$ 5,8452
Search

UFF e IFRJ seguem ocupados

Estudantes das duas instituições federais de Niterói e SG protestam contra aprovação da PEC 55

relogio min de leitura | Redação 16 de novembro de 2016 - 09:30
IFRJ-SG, em Neves, está ocupado pelos alunos desde o final de outrubro, contra a aprovação da PEC 55
IFRJ-SG, em Neves, está ocupado pelos alunos desde o final de outrubro, contra a aprovação da PEC 55 -

Alunos do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), campus São Gonçalo, e da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, continuam ocupando as unidades de ensino. A principal reivindicação é a não aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, antiga 241, que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

Em São Gonçalo, os alunos ocuparam o IFRJ no final de outubro, enquanto os estudantes da UFF começaram o movimento no último dia 2. Contudo, ambos os movimentos afirmam que não pretendem desocupar as unidades antes da votação da PEC, que acontecerá no final do mês.

Os alunos do IFRJ explicaram que todas as semanas estão sendo feitas assembléias com os estudantes. “Estamos fazendo tudo da forma mais democrática possível. Não tivemos nenhum voto contra a nossa ocupação e estão todos nos apoiando. A PEC está relacionada ao congelamento da verba durante os próximos 20 anos. Se atualmente nós já estamos estudando em um campus totalmente abandonado e inseguro, como será depois desse tempo? Precisamos deixar claro que não é um semestre que está em jogo, e sim vinte anos”, disse um estudante.

Em Niterói, a Escola de Serviço Social, o Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), a Faculdade de Educação e o Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) tiveram assembleias independentes que decidiram pela ocupação. Juntos, esses blocos totalizam 16 cursos de graduação.

Direito - Um documento assinado pelo vice diretor da Faculdade de Direito, Sérvio Túlio Santos Vieira, que começou a circular pelo campus da universidade, proibindo a ocupação, revoltou alunos, ontem. “Considerando que não há congruência entre se manifestar contra a proposta de emenda constitucional e ocupar unidade de ensino onde os pretendentes estudam, por agredir o bom senso, demonstrar ausência de racionalidade, se mostrar fora dos limites de aceitabilidade e abalroar o princípio da razoabilidade”, dizia um trecho do documento.

Os grupos que ocupam os prédios da instituição informaram que o movimento representa a coletividade, e que não há uma liderança, para que nenhum aluno seja exposto à represálias. Os estudantes estão organizados em comissões, cada uma responsável por um setor, como alimentação, segurança, financeiro e comunicação. As refeições estão sendo feitas dentro dos prédios, a partir de doações feitas por alunos, professores e até moradores da região que apoiam o movimento. Programações de atividades estão sendo produzidas diariamente, com a promoção de debates, aulões e até cine-clube.

Procurada, a UFF não se manifestou sobre as ocupações. No dia 14 de outubro, a reitoria da universidade divulgou uma nota sobre a PEC 241, condenando a proposta do governo federal. “Sem recursos, as universidades públicas ficam impedidas de concluir obras em andamento, e afeta de maneira cruel e desproporcional um imenso contingente de estudantes em situação de vulnerabilidade social. A PEC 241 põe o sistema universitário brasileiro – e o país inteiro – na contramão do futuro”, diz o texto assinado por Sidney Luiz de Matos Mello e Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, reitor e vice reitor, respectivamente. A instituição calcula que, se a PEC 55 estivesse em vigor desde 2006, a UFF teria deixado de receber R$ 810 milhões.

Além da unidade de São Gonçalo do IFRJ, as de Realengo, Nilópolis, Duque de Caxias e Paulo de Frontin, e os pólos federais de Santo Antônio de Pádua e Rio das Ostras também estão ocupados pelos alunos. Em todo o Brasil, de acordo com a União Nacional dos Estudantes (UNE), já são mais de mil unidades de ensino ocupadas.

O Ministério Público Federal já pediu a desocupação do Colégio Pedro II e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, mas não se manifestou em relação as unidades de São Gonçalo e Niterói.

Matérias Relacionadas