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Dúvidas na volta ao Arsenal

Moradores retornam ao condomínio que foi interditado após queda de muro de contenção

relogio min de leitura | Redação 09 de novembro de 2016 - 09:30
A dona de casa Elisângela Ribeiro está receosa de voltar a morar no condomínio com a família
A dona de casa Elisângela Ribeiro está receosa de voltar a morar no condomínio com a família -

Por Marcela Freitas

As 80 famílias que ficaram desalojadas, no último dia 25 de outubro, em condomínio do Programa Minha Casa, Minha Vida, no Arsenal, em São Gonçalo, retornaram aos apartamentos ontem. As famílias saíram após um muro de contenção do condomínio desabar e matar o operário Ricardo Paiva da Silva, 27, soterrado. Após o acidente, os apartamentos foram interditados pela Defesa Civil de São Gonçalo.

O laudo de desinterdição do Condomínio Bela Vida I – blocos 5, 6, 7 e 8 – feito após estudo da Caixa Econômica Federal, foi entregue às famílias na tarde de segunda-feira. Mesmo após receber o documento, muitas famílias ainda temem o risco de desabamento da construção.

“Quem já passou por uma tragédia, tem medo de que outras aconteçam. Voltamos, mas estamos muito assustados. Temo colocar meus filhos aí dentro”, disse a manicure Natalie Borges dos Santos, de 37 anos, que vive no local com cinco filhos e um neto.

O mesmo receio tem a dona de casa Elisângela Ribeiro, 42. “Estão lidando com vidas e não aguentamos mais essa indecisão. Não posso colocar, mais uma vez, a vida da minha família em risco. Queremos ter certeza que estamos em um local seguro”, afirmou.

Demolição – Se para algumas famílias o retorno foi garantido, para a monitora Rafaela Ribeiro de Morais, 33, a indecisão quanto a sua moradia ainda persiste. Rafaela morava com o marido cadeirante em uma casa adaptada no terreno do Bela Vida I, que foi demolida há dois anos. Desde então, ela mora de aluguel com a promessa de voltar ao endereço.

“A casa estava desabando e me tiraram daqui. Há 9 meses, a Caixa parou de pagar o aluguel e passei a custeá-lo. Eles não me informam sobre o retorno da minha família e nem sobre o custeio do aluguel. Com meu salário de R$ 900, não consigo manter aluguel, família e prestação”, reclamou.

Caixa – A assessoria de imprensa da CEF informou que a Defesa Civil de São Gonçalo desinterditou as obras do muro de contenção e os blocos 5, 6, 7 e 8 do Residencial Bela Vida I, possibilitando o retorno das famílias em segurança aos apartamentos, que têm garantida sua habitabilidade. Quanto ao caso de Rafaela, a Caixa esclarece que não mediu esforços para resolver a questão, oferecendo, em diversas tratativas de negociação, unidades em outros condomínios do mesmo município, mas todas as ofertas foram recusadas pela beneficiária. A Caixa ressalta que vai retomar as negociações com a beneficiária para solucionar o caso.

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