Alunos da UFF ocupam prédios da instituição

Por Leticia Lopes
Estudantes da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, estão ocupando prédios da instituição desde a última quarta-feira (02). Os pólos de Santo Antônio de Pádua e Rio das Ostras também estão ocupados pelos alunos. A principal pauta é a contestação à PEC 55, antiga 241, que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos, além da reforma do ensino médio e do programa 'Escola Sem Partido'.
Em Niterói, a Escola de Serviço Social, o Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), a Faculdade de Educação e o Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) tiveram assembleias independentes que decidiram pela ocupação. Juntos, esses blocos totalizam 16 cursos de graduação.
Os grupos que ocupam os prédios da instituição informaram que o movimento representa a coletividade, e que não há uma liderança, para que nenhum aluno seja exposto à represálias. Os estudantes estão organizados em comissões, cada uma responsável por um setor, como alimentação, segurança, financeiro e comunicação. As refeições estão sendo feitas dentro dos prédios, a partir de doações feitas por alunos, professores e até moradores da região que apoiam o movimento. Programações de atividades estão sendo produzidas diariamente, com a promoção de debates, aulões e até cine-clubes. Uma assembleia geral está marcada para a próxima quarta-feira, 9.
Em Santo Antônio de Pádua, no norte do estado, o campus da UFF que abriga os cursos de Ciências Naturais, Computação, Física, Matemática e Pedagogia está ocupado desde a última quarta-feira. Atividades como oficinas de práticas agroecológicas, aulas de vôlei, rodas de conversa e aulas públicas com professores do instituto estão sendo promovidas pelos manifestantes.
Em todo o país, até a última quinta-feira (3), 167 campis de instituições de ensino superior estavam ocupadas, além de mais de 1.000 escolas e institutos federais, segundo números da União Nacional dos Estudantes (UNE). No Rio, além da UFF, a UFRJ, a UNIRIO e a UFRRJ têm prédios ocupados por alunos.
Procurada, a UFF não se manifestou sobre as ocupações. No dia 14 de outubro, a reitoria da universidade divulgou uma nota sobre a PEC 241, condenando a proposta do governo federal. "Sem recursos, as universidades públicas ficam impedidas de concluir obras em andamento, e afeta de maneira cruel e desproporcional um imenso contingente de estudantes em situação de vulnerabilidade social. A PEC 241 põe o sistema universitário brasileiro – e o país inteiro – na contramão do futuro", diz o texto assinado por Sidney Luiz de Matos Mello e Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, reitor e vice reitor, respectivamente. A instituição calcula que, se a PEC 55 estivesse em vigor desde 2006, a UFF teria deixado de receber R$ 810 milhões.