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Tatuagem mostra sua força

relogio min de leitura | Redação 07 de novembro de 2016 - 09:40
Os organizadores do evento esperam superar o público do ano passado e chegar a 10 mil pessoas nos dois dias em 2016
Os organizadores do evento esperam superar o público do ano passado e chegar a 10 mil pessoas nos dois dias em 2016 -
Por Cyntia Fonseca
Mercado à margem da crise, a tatuagem tem se distanciado cada vez mais do estereótipo marginal de anos atrás e vem sendo reconhecida como verdadeira expressão de arte. Prova disso são os dados divulgados pelo Sebrae este ano, que mostra que entre os anos de 2009 a 2012, as áreas dedicadas aos serviços de tattoos e piercings aumentaram 413%. Além disso, desde 2004, o crescimento do mercado esteve próximo a 20% ao ano. Em parte desse pacote estão as feiras de exposição e campeonatos de tattoos, hoje mais comuns e frequentes em todo país, em especial no Rio de Janeiro.
Aproveitando esse movimento e motivados pela solidariedade - além de, claro, apresentar ao público o diferencial de seus trabalhos - os integrantes do estúdio 4Tattoo, de Alcântara, promovem a segunda edição da Expo Tattoo São Gonçalo nos dias 19 e 20 de novembro, no Clube Tamoio. Após o sucesso da primeira edição, no ano passado, a expectativa é dobrar o público.
"Esperamos 10 mil pessoas, já que serão dois dias de evento e estamos há mais tempo com divulgação", explica o tatuador Fabio Mandrak, 31, um dos idealizadores do evento.
Diferente de outras exposições, a Expo Tattoo São Gonçalo não é uma competição, apesar de existir um troféu surpresa para expositores homenageados. De cunho beneficente, o evento pretende reunir 150 tatuadores, sendo vários convidados de outros estados como Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande de Norte. Praticamente sem patrocínio, o grupo quer dobrar também o número de donativos arrecadados.
"No ano passado, foram 3 mil quilos de alimentos. Agradecemos muito ao presidente do clube, o Jorair Ferreira, que comprou a ideia e abriu as portas para a realização do evento. A ideia é dobrar essa quantidade de doações", comentou André Ribeiro, 44, outro colaborador do evento.
Os alimentos arrecadados serão doados para o Abrigo Cristo Redentor e Lar Adonai, ambos de São Gonçalo.
Além dos estandes de exposição e sorteios de tatuagens e piercings, o evento contará com apresentações de danças como Hip Hop, Rock, artesanato, cortes de cabelo, grafite, espaço de gastronomia mexicana, exposição de motocicletas e uma brinquedoteca para a criançada.
Há expectativa também da presença de artistas premiados nacional e internacionalmente, como o Nel, que acumula mais de 40 anos de experiência no mundo das tattoos e o Rico Ribeiro, convidado de Minas Gerais.
Entre os grupos confirmados estão "Tá no Sample", "Bang Boy", "Trap Colt", Dj Anderson, Banda Solar, Locomotiva Rj e Wearthe Revenge.
O evento tem início ao meio-dia e vai até as 22h, nos dois dias. No sábado, a entrada é 1kg de alimento não perecível. No domingo, é 1kg mais R$10 ou ingresso no valor de R$20. O Clube Tamoio fica na Avenida Presidente Kennedy, 101, Brasilândia, São Gonçalo.
Luta pelo reconhecimento como arte
Formado por Junior Red, 34, Fabio Mandrak, 31, Gilson Dreadlock, 34 e André Ribeiro, 44, o estúdio 4Tattoo já é referência em tatuagem em São Gonçalo. Mas, apesar do crescimento do mercado de um modo geral, a luta por reconhecimento como arte só está começando, segundo eles.
Tal dificuldade aparece no momento de conseguir patrocínios para os eventos, por exemplo. No caso dos tatuadores iniciantes, a barreira se torna ainda maior. "Nossa grande luta ainda é ser reconhecido como artista, como profissional. Às vezes em conversa informal, ou quando vai preencher um cadastro, por exemplo, a gente fala que é tatuador e a pessoa pergunta 'Tá, mas qual é sua profissão?'", conta Dreadlock.
Por outro lado, algumas mudanças vêm sendo vistas como conquistas . "A tatuagem entrou de vez na estética. Pessoas mais velhas têm procurado para rejuvenescer o visual. Algumas fazem ainda por questão de significado ou simbologia, mas muitas já fazem só por achar legal, pela estética mesmo. Semana passada, uma moça de 65 anos fez uma frase no braço aqui com a gente, muito bacana", comenta Mandrak.
O fator social-solidário também é fortemente valorizado nesse meio. Dreadlock, por exemplo, tem orgulho de mostrar sua credencial de doador de mão-de-obra para reconstrução de mamilo em mulheres que passaram por mastectomia após câncer de mama. Esse tipo de trabalho é gratuito, assim como cobertura de cicatrizes, realizadas também na UFF.

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