Cemitérios recebem 150 mil visitantes na região

Por Marcela Freitas
A comemoração pelo Dia dos Finados reuniu mais de 150 mil pessoas nos principais cemitérios de Niterói e São Gonçalo durante o dia de ontem.
Como faz todos os anos, o comerciante Pedro Merlim, de 46 anos, escolheu belas flores e velas para colocar no túmulo de seus parentes no Cemitério de São Miguel, em São Gonçalo. “Vir ao cemitério no Dia dos Finados é uma tradição. Tenho pais e tios enterrados aqui. As flores são homenagens para eles”, contou. Um dos túmulos mais visitados é o do Palhaço Carequinha, George Savalla Gomes, que, na manhã de ontem, era cuidado pelo vendedor Ricardo Campos Cunha, 42. “Trabalho desde pequeno com a limpeza de sepulturas. O Carequinha é nosso ídolo e merece uma atenção especial”, disse ele. Nos quatro cemitérios municipais de São Gonçalo, os visitantes participaram de missas durante todo o dia. Em Niterói, mais de cem mil pessoas visitaram o Cemitério do Maruí, no Barreto. De acordo com o administrador do local, Getúlio Cardoso, 70, a movimentação foi além da expectativa. “Estávamos esperando um grande público, mas por conta da crise, acreditávamos que o público seria um pouco menor. Estou bastante surpreso”, contou Getúlio.
Muito cuidadosas, as irmãs Isabel e Mara de Lima, de 70 e 59 anos, respectivamente, cuidavam da sepultura da família, onde estão enterrados sete parentes. “Hoje, nossa mãe faria 105 anos. O que podemos fazer para ela é cuidar de seu túmulo. Mas não fazemos só nesta data. Visitamos o cemitério com regularidade”, contou Mara.
No Maruí, o túmulo do menino Paulo César de Souza Medina, o Paulinho Milagreiro, que morreu afogado aos 8 anos na Lagoa de Piratininga, recebeu muitas visitas e homenagens. Desde que morreu, em 1972, muitos milagres foram atribuídos a Paulinho. Ontem, os devotos depositaram brinquedos na esperança de terem seus pedidos atendidos. “Meu sogro morreu, há 30 anos, e desde então, depositamos flores para ele e Paulinho. Já alcançamos muitas graças a partir de sua intercessão”, garantiu. A mãe de Paulinho, Itacy de Souza Medina, 73, chegou logo cedo para recolher os brinquedos, que serão doados a abrigos.
Oportunidade – Para muitas pessoas, o Dia dos Finados é sinônimo de renda extra. Diversas famílias se unem para vender flores, velas e limpar sepulturas. Esse é o caso do vendedor Ronaldo Cruz. “Em tempos de crise, temos que conseguir renda de alguma maneira. Faço várias promoções e descontos para conseguir vender tudo ainda pela manhã”.
A mesma atitude teve a atendente Daniela Braga, 23. “Trabalho em floricultura. Se ficarmos só na loja, perderemos vendas. A alternativa é vir para a rua”, revelou.