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Núcleo de Ostomizados completa dois anos

relogio min de leitura | Redação 13 de outubro de 2016 - 19:00
Imagem ilustrativa da imagem Núcleo de Ostomizados completa dois anos

“Eu brinco com a minha realidade, porque estou muito bem comigo”. Esse desabafo é de João Vitor Barcelos, de 34 anos, que é um dos pacientes do Núcleo Especializado de Reabilitação para Pacientes Portadores de Colostomia e Urostomia, localizado no Centro de São Gonçalo. A sede, que é a única unidade do Estado voltada para pacientes ostomizados, foi inaugurada em 2013 pelo prefeito Neilton Mulim e possui cerca de 500 pacientes cadastrados e 350 em atendimento. Somente este ano, foram 100 novos pacientes.

O local funciona como um centro de ressocialização e reinserção do paciente no meio social e familiar. O núcleo tem como objetivo oferecer um trabalho voltado para o atendimento interdisciplinar realizado por equipes formadas por médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, e nutricionista, para as intervenções especializadas, orientações para o autocuidado, prevenção de complicações nas ostomias (procedimento cirúrgico onde um órgão é exteriorizado), além da prescrição e fornecimento das bolsas coletoras e adjuvantes de proteção e segurança.

Por sofrerem importantes e sérias alterações no corpo, os pacientes precisam de apoio especializado para se adequarem à nova situação física. O município vem reiniciando as cirurgias de recondução, através da equipe do Pronto Socorro de Alcântara. A diretora do programa, Suely Dantas, destaca que o paciente que passa por este tipo de tratamento, fica muito fragilizado e o acompanhamento em diversas áreas é essencial para a melhora do quadro clínico.

“Procuramos deixar o paciente à vontade e centralizamos toda a parte burocrática dos procedimentos e exames aqui no núcleo para facilitar a vida da pessoa, para que tudo possa ser resolvido aqui. Além disso, temos o trabalho de fisioterapia que é voltado para a respiração, além do programa de condicionamento nutricional e físico, pois muitos pacientes chegam aqui com quadros graves de perda de peso. Não temos noção dos mundos que existem dentro de um projeto como este”, explicou Suely.

Após sofrer um acidente há cerca de dois anos e meio, João Vitor ficou paraplégico e precisou usar bolsa de colostomia. Ele conta que logo após ter consciência da sua atual situação ele tentou o suicídio através de medicamentos, ficou internado e depois decidiu que não iria deixar essa condição acabar com a sua vida.

“Cheguei ao núcleo muito depressivo, pesando 40 kg, com muitas dores e dificuldade até para me mexer na cadeira de rodas. Hoje, tenho mobilidade, ganhei peso, minhas dores diminuíram quase 100% e recuperei o meu controle motor. Durante o trabalho de fisioterapia já consigo ficar de pé e existe a possibilidade que eu consiga andar com ajuda de um andador. O atendimento no núcleo é sensacional e cheguei aqui graças a indicação de um amigo. Só tenho a agradecer a toda equipe”, disse.

João Vitor conta que independente do tratamento físico, as sessões com a psicóloga e assistente social foram essenciais para a sua recuperação.

“Se não cuidarmos da cabeça o corpo não reage. Hoje já tive alta do atendimento psicológico, venho aqui três vezes por semana para a consulta médica e fisioterapia. Cada profissional aqui trabalha com uma especialidade para no final juntar as partes e fechar o atendimento. Me sinto feliz novamente e consciente que o sucesso do tratamento depende muito de mim”.

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