O fim da greve dos bancários, que durou 31 dias, começou com uma corrida dos clientes as agências durante todo o dia de ontem. Na agência do Banco Brasil, no Alcântara, longas filas se formaram e para entrar na agência os clientes aguardavam mais de uma hora. Já no interior do banco, o tempo em média para ser atendido era de três horas.
O eletricista Gláucio Ferreira, 43 anos, chegou à agência às 10h30, duas horas depois ele continuava aguardando para retirar seu pagamento.
“Fui a três agências e não consegui fazer saques. Eles alegam que a transportadora de valores está atrasada e os caixas estão vazios. Isso é um absurdo. Depois de mais de um mês aguardando o retorno do expediente ainda temos que passar por isso”, reclamou.
A dona de casa Carla Ribeiro, 38 anos, estava acompanhando o sogro de 79, mas também não consegui retirar o pagamento do idoso.
“Cheguei às 10h e estou perdendo o dia de trabalho. Pedi para me sogro aguardar no carro para evitar que ele fique no meio desta aglomeração de pessoas. É uma falta de respeito com os clientes deixar os caixas sem dinheiro”, contou.
Quem também precisou perder o dia de trabalho, foi à atendente de pizzaria, Deusa Medeiros, 54 anos, que esteve na Caixa econômica.
“Preciso sacar dinheiro e resolver algumas pendências sobre meu imóvel. Quando ouvi que os bancos haviam retornado achei que a Caixa estava incluída. Estou muito preocupada. Preciso resolver questões burocráticas, caso contrário, terei problemas com o meu imóvel”, afirmou.
Em assembleia concorrida dos bancários de Niterói e região, funcionários de bancos privados e do Banco do Brasil aceitaram a proposta dos bancos de encerraram a greve. Já os funcionários da Caixa Econômica Federal rejeitaram por ampla maioria a proposta e mantiveram a greve em todas as unidades do banco. Com a decisão, bancos privados e Banco do Brasil voltam a funcionar normalmente. O Sindicato já organiza a continuidade da paralisação nas agências da Caixa nos 16 municípios da região, cerca de 30 unidades.
A greve de 2016 se igualou ao período mais longo de paralisação nacional da categoria ocorrido em 2004 quando houve a primeira campanha nacional unificada entre funcionários de bancos públicos e privados. Foram mais de 13 mil agências bancárias paralisadas em todo país, o que representa 5% do total. A segunda greve mais longa dos bancários foi em 2013, totalizando 24 dias. Em toda história de paralisações, a greve mais longa da categoria foi em 1951, com 69 dias de paralisação.