Aposentada de 79 anos resgata a história de bairro de São Gonçalo
Leitora assídua de O SÃO GONÇALO, a moradora de Maria Paula, Lucinea Portugal Camargo, de 79 anos, foi uma das muitas que elogiaram a edição da Revista de Aniversário de São Gonçalo, publicada no último dia 21. Testemunha do crescimento do município, Lucinea foi convidada por OSG a resgatar memórias sobre o surgimento do bairro onde vive. Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Lucinea veio ainda pequena com a família para São Gonçalo. Morou uns tempos no Paraíso mas foi mesmo em Maria Paula que se instalou e “aportou” o coração e a vida. A casa, construída pelo pai, o vendedor Antônio Portugal, ainda preserva o estilo arquitetônico da edificação original, com direito à varanda, quintal com jardim e azulejos dos anos 1950.
“Quando chegamos aqui eu devia ter 15 para 16 anos. Tudo aqui em volta era só mato. Tinham poucas casas. Essa aqui que papai construiu com muita dificuldade foi uma das primeiras. Na época, ainda passavam os tropeiros, vendedores de produtos agrícolas que vinham montados em burros em direção ao mercado de Niterói. A estrada era de barro. Lembro muito também de tomar banho no Rio Maria Paula, eram águas muito limpas. A luz era de querosene, não tínhamos água encanada”, lembra a professora aposentada. Casou-se aos 23 anos e foi morar em Alcântara. Mas com a morte do pai, decidiu fazer companhia à mãe, dona Luisa, e na casa está até hoje. Segundo as recordações de dona Lucinea, Maria Paula era uma serviçal da família real de Dom Pedro II e ganhou de presente como agradecimento aos serviços prestados, as terras que levaram seu nome posteriormente. “Lembro que íamos correr e brincar próximo ao casarão que era dos herdeiros da Maria Paula.Lá morava dona Santinha, uma rezadeira, que se tornou muito amiga da nossa família. Qualquer problema, dor de barriga que alguma criança tivesse, era levada para a dona Santinha rezar”, recorda a moradora.
As terras foram pouco a pouco loteadas e vendidas, dando início ao tão desejado “progresso”. Entre as lembranças do bairro nos anos 1950 e 60, dona Lucinea cita ainda o campo de futebol do Ideal Esporte Clube, área onde atualmente está instalado um motel.