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Luta pela preservação da vida

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 12 de setembro de 2016 - 11:38
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma das entidades que divulga a campanha no Brasil
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma das entidades que divulga a campanha no Brasil -

Por Daniela Scaffo

Muito gente conhece as campanhas “Outubro Rosa”, atribuída à prevenção ao câncer de mama, e o “Novembro Azul”, para conscientização do câncer de próstata. Mas você sabe o que é o “Setembro Amarelo”? Pelo terceiro ano, um movimento criado pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio (IASP) tem sensibilizado a sociedade para alertar sobre uma prevenção que pode poupar pelo menos de 28 a 32 pessoas que cometem suicídio diariamente no Brasil. No país, a campanha tem mobilização principalmente do Centro de Valorização à Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O “Setembro Amarelo” foi escolhido para acontecer no mês em que é celebrado o ‘Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio’, que aconteceu justamente no último sábado. O que muitos não sabem é o Brasil está entre os 28 países, de um universo de mais de 160 analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que possui estratégia de prevenção ao suicídio. Aqui, inclusive, o problema é encarado há vários anos como de saúde pública, uma vez que 90% deles são preveníveis e a grande maioria também está ligada a doenças psíquicas tratáveis, segundo especialistas na área de saúde mental.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 804 mil pessoas se suicidaram no mundo em 2012. Isso dá, em média, um caso novo a cada 40 segundos. Em números, houve queda de cerca de 9% entre 2000 e 2012 (de 883 mil para 804 mil), mas os números ainda sejam preocupantes segundo o levantamento, uma vez que este é considerado o 15º gênero de óbito mais registrado no mundo. Já o Brasil aparece em 113º lugar neste ranking em relação a 172 países retratados na pesquisa, estando abaixo da média mundial de suicídios. Porém os números apontam quase 12 mil óbitos pela causa em 2012, o que corresponde, em média, a 32 suicídios por dia no país.

No entanto, o que pode ocorrer em muitos casos é a subnotificação. Nesse caso, os suicídios aparecem no atestado de óbito denominado como causa indeterminada ou desconhecida, acidente ou homicídio, além de acidente com arma de fogo, acidente de trânsito, overdose ou queda acidental.

Em 2006, o Ministério da Saúde publicou dois importantes documentos: Diretrizes Nacionais de Prevenção do Suicídio e o manual dirigido aos profissionais das equipes de saúde mental dos serviços de saúde, com ênfase nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A iniciativa integra a Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, que tem como objetivo reduzir as taxas de suicídios e tentativas, e também os danos associados aos sujeitos envolvidos, bem como sua rede de suporte social e comunitária. A atenção integral pressupõe a articulação das equipes da atenção básica, da urgência e emergência e da atenção psicossocial.

Especialistas desmistificam tabus

Entre os fatores de risco para o suicídio estão trans-tornos mentais (depressão, alcoolismo, esquizofrenia), questões sociodemográficas (como isolamento social), psi-cológicos (perdas recentes) e condições clínicas incapa-citantes (como lesões desfi-gurantes perenes, dor crô-nica, neoplasias malignas). No entanto tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado no Sistema Único de Saúde (SUS) confor-me um projeto terapêutico in-dividual.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do sui-cídio, há 54 anos. Em São Gonçalo, cerca de 20 volun-tários se dedicam a oferecer apoio pessoalmente ou pelo telefone 141, tendo como filo-sofia o ato de ouvir. Os paci-entes são atendidos de forma voluntária e gratuitamente todas, sob total sigilo por te-lefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

“Para cada 100 pessoas com depressão, 15 optam pelo suicídio. Trabalhamos no CVV com a tarefa de fazer com que a pessoa se abra, mas com a sensação de segurança. Muita gente tem medo de compartilhar al-guns assuntos com amigos

De acordo com o psicana-lista Lenilson Ferreira, do Grupo de Apoio à Pessoa com Depressão e Ansiedade (GAP), há aspectos que podem devem ser observados em pessoas com tendências suicidas.

“Variações de humor, irrita-ção ou tristeza profunda, perda de apetite, engordar em pouco tempo e até mesmo consumo exagerado de algum tipo de subs-tância são aspectos que devem ser observados nas pessoas, já que isso pode ser um indí-cio de depressão, considerada a maior incapacitadora no plane-ta, que pode desencadear ten-

dências suicídio”, disse Lenilson. Ferreira ainda explicou que é necessário falar sobre o suicí-dio e não fazer com que ele se torne um tabu.

“A campanha faz exatamen-te o que as pessoas na sua igno-rância, acham que não devam fazer: instrui para que falem sobre o suicídio. A melhor ma-neira de prevenir é falar sobre o problema. Essa questão de não falar, torna tudo muito mais difícil e acaba virando um tabu, fazendo com que algumas pessoas até se envergonhem em se abrir”, finalizou.

CVV: referência no trabalho preventivo

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do sui-cídio, há 54 anos. Em São Gonçalo, cerca de 20 volun-tários se dedicam a oferecer apoio pessoalmente ou pelo telefone 141, tendo como filo-sofia o ato de ouvir. Os paci-entes são atendidos de forma voluntária e gratuitamente todas, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

“Para cada 100 pessoas com depressão, 15 optam pelo suicídio. Trabalhamos no CVV com a tarefa de fazer com que a pessoa se abra, mas com a sensação de segurança. Muita gente tem medo de compartilhar alguns assuntos com amigos ou familiares e acabar sendo taxado. A medida que essa pessoa conta para a gente o que sente, ela pensa me-lhor e consegue decidir por não tomar uma atitude drásti-ca, já que ela está num está-gio de ambivalência”, explica um dos integrantes da Comis-são de Divulgação do CVV-SG, João Alexandre Souza.

Ainda segundo João Ale-xandre, a equipe do CVV tem verificado um aumento de número de jovens com de-pressão, que muita das vezes optam pelo suicídio.

“Verificamos um aumento de 30% de casos de suicídio entre os jovens. Isso é preo-cupante em um país que o bullying tem se tornado cada vez mais comum, principal-mente entre o público que uti-liza a internet. No entanto, a maior parte dos suicídios ainda é cometida por idosos so-litários ou adultos em depressão”, finalizou João Alexandre.

Além do CVV, atualmente o país possui 2.328 Caps em funcionamento. Nesses es-tabelecimentos, o paciente recebe atendimento próximo da família, assistência médica es-pecializada e todo o cuidado terapêutico conforme o seu quadro de saúde. Tanto o tema do suicídio quanto o da depressão são abordados no curso de educação a distância.

 “Atenção à crise em saúde mental”, realizado desde o ano passado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina.

Lugares onde buscar ajuda em São Gonçalo e Niterói

CVV São Gonçalo Rua Dr. Nilo Peçanha, 320, Estrela do Norte Telefones: 141 e 2604-4332 (atendimento) / 3244-4141 (administrativo)

Caps II Gradim Rua Silvio Vale, s/nº (anexo ao Posto de Saúde Ana Neri)

Caps Zé Garoto

Rua Clemente Souza e Silva, 222 - Zé Garoto

Caps II Porto da Madama

Rua Francisco Portela, 2.221 -Mangueira

Caps II Paulo Marcos Costa

Travessa Margarida, 46 - Mutondo

Grupo de Apoio à Pessoa com Depressão e Ansiedade (GAP)

Associação Médica Fluminense

Avenida Roberto Silveira, 123, Icaraí (Reuniões toda última quinta-feira do mês, às 19h) Informações: 99872-2924

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