SG ganha primeiro museu

Espaço na Ilha das Flores, em Neves, é voltado para resgatar a memória da imigração

Enviado Direto da Redação
Segundo Rui Aniceto, o local receberá novas mostras em breve, além do acervo permanente

Segundo Rui Aniceto, o local receberá novas mostras em breve, além do acervo permanente

Foto: Leonardo Ferraz

Por Marcela Freitas

São Gonçalo ganhou, recentemente, o seu primeiro museu. O Centro de Memórias da Imigração, situado no espaço que hoje abriga a Base Naval da Ilha das Flores, às margens da BR-101, na altura do bairro Neves, entrou oficialmente para o circuito mundial de museus destinados à imigração, em julho deste ano.

A nomenclatura museu garante ao espaço um contorno diferente, o que garante um acesso maior do público. Se antes para visitar o Centro de Memória era necessário agendar, agora, grupos menores de 15 visitantes podem conhecer o espaço sem aviso prévio. O visitante será guiado por um monitor (aluno) da Uerj e um militar.

Quem visitar o espaço, terá acesso a uma exposição audiovisual com fotos e entrevistas com pesquisadores, além de relato de familiares de imigrantes que por ali passaram entre 1883 e 1966. A mostra permanente faz parte de uma minuciosa atividade de pesquisa do grupo História de São Gonçalo: Memória e Identidade e constituído por professores e estudantes de graduação e pós-graduação da Faculdade de Formação de professores (FFP-Uerj).

Traz assim temas, como experiências da imigração, outros usos da hospedaria em princípios do século XX, a Hospedaria da Ilha das Flores, uma ilha que nem sempre foi Das Flores, entre outros temas, como guerras e presídio. Além disso, os visitantes podem participar de um roteiro de visita no museu a céu aberto.

Segundo o coordenador do museu, professor Rui Aniceto, o local deve abrigar futuras exposições em breve.

“O acervo atual trata 90% da migração e imigração no Brasil. O restante fala dos outros usos que a hospedaria teve ao longo da sua existência, como seu uso como espaço prisional. Ela foi em vários momentos espaço prisional como, por exemplo: na Primeira Guerra Mundial. Mas a ideia é que possamos acolher aqui também exposições temporárias. Temos um rol a ser utilizado”, explicou.

No estado do Rio este é o único museu com contornos diferentes dos existentes, já que procura pensar o processo imigratório que ocorreu neste espaço, ou seja, foge da questão da etnia e pensa no deslocamento. Além disso, este é o único museu criado dentro de uma base militar em funcionamento. Em outras bases da Marinha, são reservadas áreas distintas que não interferem no funcionamento do espaço.

O projeto - Em 2010, foi firmado um convênio de parceria entre Uerj e Marinha do Brasil. Dois anos depois, em novembro de 2012, foi inaugurado o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, que tem como objetivo o resgate da história como materiais de memória e um conjunto de reflexões sobre a imigração e migração do Brasil. O local é um marco histórico e guarda memórias dos anos 1930 a 60. As visitas são gratuitas e estão abertas ao público, de terça a domingo, das 9 às 17h.

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