Enterro de motoboy morto por policiais é marcado por emoção e indignação
Danilo Alves, de 26 anos, foi baleado na cabeça, no último sábado (12), a caminho do trabalho; ele foi sepultado no Cemitério de São Gonçalo

"O sentimento é de injustiça. E a gente quer justiça. Total despreparo do Estado, daquele policial militar pra fazer aquela abordagem daquela maneira. A Polícia Militar, ela representa a segurança pra gente. A Polícia Militar, ela representa autoridade." A fala, em tom crítico e pedindo por justiça, é de Douglas William, tio de Danilo Alves, de 26 anos, momentos antes de enterrar o corpo do sobrinho, morto por policiais do Segurança de Presente de Niterói com um tiro na cabeça após uma abordagem no último final de semana.
O enterro do motoboy aconteceu no Cemitério São Gonçalo, no bairro Camarão, reunindo amigos e familiares.
"Agora a gente vai ver com o Ministério Público, se já ofereceu denúncia, como estão os trâmites dentro da Corregedoria. Se o coronel está acompanhando, se está tudo sendo investigado como tem que ser investigado, com o rigor da lei. Para que tudo seja captado até o final, para que a gente possa realmente ver a justiça", disse Douglas sobre as investigações.

Tia de Danilo, Rosana Matias também esteve presente no sepultamento e falou sobre sua relação com Danilo. "Era um sobrinho incrível. Danilo sempre foi o mais pacífico (entre as crianças da família). Mais retido, aquele que não gostava de confusão, que sempre se gostava daquelas coisas de família."
Sobre os policiais envolvidos, Rosana espera que a justiça seja feita: "Mas a gente quer a prisão deles, a gente quer a exclusão dos dois, a gente quer ele fora da sociedade."
Rosana afirmou que os motoboys ajudaram na defesa de Danilo no momento que preservaram a mochila na cena do crime após os disparos efetuados pelos policiais: "Graças a Deus esses heróis que são chamados de motoboys, que tiraram a mochila da mão daquele safado, que com certeza ele ia aprontar alguma coisa ali. Eu afirmo que os policias poderiam tentar incriminar o Danilo no momento que pegaram sua mochila."

Também presente no enterro, Jander Luiz, pai de Danilo, falou como eram os dias com o filho: "Danilo era uma pessoa sensacional. Isso daí a gente já vem falando desde sábado quando ele foi baleado. Ele todo dia ele ia lá em casa e me chamava para tomar um café. Com a avó, era um carinho enorme. Muito família, gente boa com todo mundo, com os amigos, com os primos, com o sobrinho pequeno dele."
Bastante indignado com a postura dos policiais no momento da abordagem ao filho, Jander disse que seu filho não tinha cometido nada de errado ao longo da vida: "Eu queria que uma única pessoa conseguisse apontar um momento de erro do Danilo. Um momento de erro que o tenha merecido tomar uma bala na cabeça a caminho do trabalho."

Motoboys fazem manifestação durante sepultamento de Danilo
Momentos antes do sepultamento, um grupo com centenas de motoboys chegaram ao local para homenagear Danilo. Amsterdan Sousa, conhecido como Mister e representante da categoria em Niterói, falou sobre o caso do colega.
"Estamos todos de luto, triste pelo que pelo que aconteceu. Ainda mais porque nós somos uma categoria solidária, solícita. Tudo que aconteceu com o Danilo, nenhum de nós está livre de vir a acontecer. Desde o ocorrido, quando nós soubemos do sepultamento, o horário, o dia, nós já começamos a organizar a categoria, a mobilizar. A gente está nessa correria pra não deixar que esse crime caia no esquecimento."
Mister também disse que situações como a do amigo, unem ainda mais a classe, que ganha mais força para seguir lutando. "Junta mais. O que aparece nas redes sociais não é nem 10% do quanto a gente é organizado".

Ele também alertou que os motoboys precisam ser mais respeitados e lembrou de um momento importante. "E é uma sequência de acontecimentos que vão trazendo mais revolta pra gente. A gente quer que a sociedade entenda que nós somos os mesmos heróis da pandemia. Na pandemia nós fomos reconhecidos, nós fomos exaltados. Nós somos esses mesmos motoboys e a gente quer que a sociedade entenda isso e passe a nos tratar com respeito."

A Assessoria de Imprensa da SEPM informa que o procedimento apuratório instaurado sobre o ocorrido segue em curso. A corporação segue colaborando integralmente com os demais procedimentos investigativos.








