Brasil registra quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade no 1º semestre, aponta Serasa Experian
Mapa da Fraude da datatech revela que foram 2,8 milhões de investidas no período, aumento de 32,9% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado

O Brasil registrou quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil e líder em soluções antifraude. Entre janeiro e junho, foram identificados 2,8 milhões de alertas durante processos de entrada de novos clientes e validação de identidade para a contratação de serviços, volume 32,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
O volume equivale a uma tentativa de fraude a cada 5,5 segundos e considera exclusivamente ocorrências identificadas durante processos de cadastro e validação de identidade, também conhecidos como onboarding. No período, as tecnologias antifraude evitaram um prejuízo potencial de R$ 3,77 bilhões, o equivalente a mais de R$ 20 milhões protegidos, em média, por dia.
“Os números mostram que a pressão dos fraudadores começa antes mesmo de uma conta, um crédito ou um serviço ser liberado. Quando uma identidade falsa ou dados de terceiros passam pela etapa de cadastro, o criminoso pode ganhar acesso a diferentes produtos e ampliar o prejuízo. Por isso, a validação de identidade precisa combinar segurança, precisão e agilidade desde o primeiro contato do cliente com a empresa”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude, Leandro Bartolassi. Confira abaixo a evolução de tentativas de fraude ao longo dos últimos semestres:
Varejo mais que dobra tentativas de fraude de identidade
O Mapa da Fraude mostra que, na comparação com o primeiro semestre de 2025, o “Varejo” apresentou o maior avanço no volume de tentativas de fraude de identidade, com alta de 120,7%. “Telefonia” também registrou crescimento expressivo, de 51,4%, seguida por “Serviços”, com 40,2%.
Apesar do avanço mais acentuado em outros segmentos, o setor financeiro permaneceu como o principal concentrador das ocorrências no primeiro semestre de 2026. As três frentes que o compõem no levantamento (“Meios de pagamento”, “Bancos e Cartões” e “Financeiras”) responderam, juntas, por 61,1% das tentativas identificadas. “Meios de pagamento” liderou individualmente, com 42,6% do total. A categoria reúne empresas responsáveis por viabilizar a aceitação e o processamento de transações, inclusive por meio de maquininhas de cartão. Veja o detalhamento na tabela abaixo:
“A fraude de identidade não está restrita às instituições financeiras. Ela pode ocorrer na contratação de uma linha telefônica, na abertura de uma conta, na solicitação de crédito, no credenciamento de um estabelecimento ou no cadastro para acessar diferentes serviços. Com a migração de mais jornadas para o ambiente digital, cresce também a necessidade de validar identidades por meio de diferentes camadas de proteção”, explica o diretor da datatech.
Dia dos Namorados, Dia das Mães e Ano Novo lideram risco de fraude no semestre
Entre as datas comemorativas analisadas pelo Mapa da Fraude no primeiro semestre de 2026, o Dia dos Namorados apresentou a maior taxa de risco, com um índice 22,2% superior à média registrada no semestre. Isso significa que, a cada 100 validações de identidade realizadas na data, mais de duas apresentaram indícios de tentativa de fraude (2,42%). Na sequência aparecem o Dia das Mães, com taxa 11,6% acima da média semestral, e o Ano Novo, 5,1% superior, completando o ranking das três datas com maior exposição.
O levantamento também dimensiona o impacto financeiro das tentativas identificadas pelas tecnologias antifraude. No Carnaval, R$ 17,1 milhões em prejuízos potenciais foram evitados, o maior valor entre as datas analisadas. Na sequência aparecem o Dia das Mães, com R$ 16,2 milhões, e a Páscoa, com R$ 14,5 milhões. As ocorrências foram detectadas por tecnologias que combinam análise de dados cadastrais, validação de documentos, biometria e outros sinais de identidade ao longo da jornada digital. Confira o detalhamento completo na tabela abaixo:
“Os fraudadores adaptam suas abordagens ao contexto de cada data comemorativa e exploram elementos como senso de urgência, apelo emocional e aumento da procura por produtos e serviços. Em períodos de celebração, o consumidor pode estar mais propenso a clicar em links, compartilhar informações ou concluir cadastros sem verificar todos os sinais de segurança. Por isso, essas ocasiões exigem atenção redobrada dos consumidores e uma atuação preventiva das empresas, com tecnologias capazes de identificar inconsistências desde a validação de identidade”, analisa Bartolassi.
Geração Z lidera avanço das fraudes de identidade no semestre
Na análise geracional, o Mapa da Fraude desafia a percepção de que as fraudes de identidade se concentram principalmente entre pessoas mais velhas. A Geração Z apresentou a maior participação nas ocorrências identificadas em processos de cadastro e validação de identidade, com 28,5%% do total, seguida de perto pela Geração X (27,4%) e pelos Millennials (22%).
O avanço das tentativas também foi mais acentuado entre gerações com forte presença econômica e digital. Na Geração Z, o volume cresceu quase 30%, enquanto entre a Geração X e os Millennials a alta ficou próxima de 19%. A maior presença das gerações mais jovens pode estar associada à expansão das jornadas digitais e ao acesso a produtos como contas, cartões e crédito, inclusive entre consumidores que estão iniciando sua relação com o sistema financeiro.
“Existe uma percepção de que as pessoas mais velhas são sempre o principal alvo das fraudes, mas os dados mostram que os criminosos direcionam suas tentativas para diferentes gerações, especialmente aquelas com maior atividade econômica e digital. No caso da Geração Z, a entrada no sistema financeiro, com a abertura das primeiras contas, o acesso ao crédito e a contratação de novos serviços, amplia as possibilidades de relacionamento com empresas, mas também cria novos pontos de atenção. Isso não significa que uma geração seja mais vulnerável, mas que os fraudadores acompanham os públicos e as jornadas com maior potencial de exploração”, completa o executivo da Serasa Experian.
Sudeste concentra maior parcela das tentativas; Nordeste lidera avanço
O Sudeste concentrou 31,7% das tentativas de fraude de identidade registradas no primeiro semestre de 2026, a maior participação entre as regiões. O Nordeste apareceu em seguida, com 16,3%, enquanto as demais responderam, individualmente, por menos de 10% das ocorrências.
Porém, na comparação com o mesmo período de 2025, o Mapa da Fraude revela que todas as regiões registraram aumento no volume de tentativas. O Nordeste apresentou a maior alta, de 14%, seguido de perto pelo Sudeste, com 13,8%. O detalhamento completo está no gráfico abaixo:
Este levantamento do 1º semestre de 2026 do Mapa da Fraude considera exclusivamente ocorrências detectadas durante processos de cadastro e validação de identidade, também chamados de onboarding. Não estão incluídas fraudes transacionais identificadas posteriormente em compras, pagamentos, transferências ou outras movimentações. A participação dos setores foi calculada sobre o volume geral de 2.860.957 tentativas registradas no primeiro semestre de 2026. A categoria “Outros” reúne atividades ainda em processo de consolidação na base e, por essa razão, sua variação anual não foi utilizada como indicador de tendência. Para os recortes de geração e região, os percentuais foram calculados a partir da soma das categorias disponíveis, incluindo os registros classificados como “não definido” ou “não identificado”. Essa base corresponde a 2.666.496 ocorrências em 2026.