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Agosto Dourado e amamentação: leite fraco existe? Especialista explica o que é mito e verdade

A reportagem de O SÃO GONÇALO ouviu uma consultora internacional de lactação e amamentação e uma mãe de dois

relogio min de leitura | Cristine Oliveira
A amamentação ajuda a compor o sistema imunológico do bebê através de nutrientes e outros compostos
A amamentação ajuda a compor o sistema imunológico do bebê através de nutrientes e outros compostos -

O mês de agosto é marcado pelo trabalho de conscientização e o incentivo do aleitamento materno. Representado pela cor dourada, o período serve para ampliar as informações e ajudar a romper com estereótipos relacionados à amamentação. A reportagem de O SÃO GONÇALO ouviu uma consultora internacional de lactação e amamentação e uma mãe de duas crianças.

O processo de amamentação é o primeiro contato que o bebê terá com alimentos, mas a sua importância ultrapassa esse ponto e se torna uma questão de saúde e qualidade de vida à criança uma vez que, por meio do leite, recebe nutrientes e vitaminas, que, inclusive, previnem doenças.


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“A amamentação é fundamental nos primeiros anos de vida, pois fornece nutrientes essenciais e únicos para o crescimento e desenvolvimento infantil. O leite materno contém imunoglobulina A (anticorpos), lactoferrina e outros componentes que fortalecem a resposta imunológica, assim como está constantemente mudando sua composição para se adaptar às necessidades do bebê! Também contribui para a formação de uma microbiota intestinal saudável por meio dos oligossacarídeos do leite humano (HMOs). Seus nutrientes e fatores bioativos favorecem o desenvolvimento neurológico e cognitivo da criança. Além disso, está associada à redução do risco de infecções, obesidade e algumas doenças metabólicas. Assim, a amamentação atua simultaneamente na nutrição, imunoproteção e maturação fisiológica do organismo”, disse a enfermeira neonatologista e pediátrica há 12 anos, consultora internacional de lactação e amamentação (IBCLC), Lorrane Sarmento.

Lorrane Sarmento
Lorrane Sarmento |  Foto: Reprodução - Arquivo Pessoal

“É o único leite perfeito e feito sob medida, já que a saliva do bebê em contato com o seio passa informações pro corpo da mãe, que adapta a produção exatamente de acordo com a necessidade do bebê naquele momento”.

A criança que recebeu leite materno está menos propensa a ter determinadas doenças e até mesmo à morte neonatal em razão dos nutrientes fornecidos pelo leite.

“A amamentação está associada a menor ocorrência de diarreia, infecções respiratórias, otite média e outras infecções, além de menor risco de obesidade posteriormente. O início precoce também está relacionado à redução da mortalidade neonatal”, disse a especialista.

A amamentação deve durar quanto tempo?

O Ministério da Saúde recomenda que os bebês sejam alimentados com leite materno até os 2 anos, podendo passar dessa idade. Além disso, é indicado que nos primeiros 6 meses a criança receba apenas o leite da mãe.

Essa indicação é reforçada pela especialista Lorrane Sarmento, que acrescenta que se a alimentação através do leite se prolongar, pode haver ainda mais benefícios para a saúde infantil.

“O quanto fizer sentido para mãe e bebê, quanto mais tempo de amamentação, maiores são os benefícios para a saúde da mãe e do bebê. A recomendação do Ministério da Saúde é que os bebês sejam amamentados exclusivamente (somente seio materno, sem água, chás ou sucos) até os 6 meses em livre demanda, sem controle do tempo que o bebê mama e sem intervalos pré-definidos (como a cada 2 ou 3h, por exemplo). Os intervalos variam de acordo com a necessidade do bebê, podendo variar de 1 a cada 4-5h”, reforça a especialista.

Lorrane Sarmento é enfermeira neonatologista e pediátrica há 12 anos
Lorrane Sarmento é enfermeira neonatologista e pediátrica há 12 anos |  Foto: Reprodução - Arquivo Pessoal

Porém, antes de determinar quanto tempo a criança deve se alimentar apenas de leite materno, muitas mulheres enfrentam insegurança e dificuldades de amamentar, justamente pelas altas expectativas e em alguns, casos, dúvidas em relação à quantidade e qualidade do líquido. É então que surge a frase popularmente conhecida como “leite fraco”, que é um mito que gira em torno do tema.

“Não existe leite fraco, todo leite materno é perfeito para o bebê. Essa insegurança em relação à qualidade do leite vem de uma falta de entendimento do comportamento do bebê, assim como da fisiologia da produção de leite. Existe a expectativa de que a mãe produza leite em grandes quantidades após o parto, assim como a crença de que o bebê precisa mamar muito desde o primeiro minuto de vida. Quando não há compreensão desses fatores, tende-se a pensar que todo choro é por fome, gerando insegurança na pessoa que amamenta”, explicou a enfermeira.

Como ter uma boa experiência na amamentação?

De acordo com a enfermeira, para que o processo de amamentação seja uma experiência sem traumas tanto para a mulher quanto para o bebê, é preciso que esteja munido de informações confiáveis ainda na gravidez e contar com a ajuda de profissionais que irão ajudar ensinando a maneira correta de alimentar o bebê.

“Embora a amamentação seja natural, ela não é intuitiva e precisa ser aprendida, tanto pela mãe como pelo bebê. A melhor forma de conduzir esse processo é com apoio especializado de uma profissional empática, que acolha as inseguranças da mãe nesse momento de tanta vulnerabilidade”, disse a enfermeira.

A explicação teórica por parte da profissional foi sentida na prática por Tifany Coutinho, de 39 anos e mãe de Arthur Aquino de 2 anos e Manuela Aquino, de 4 meses. A primeira experiência com a amamentação do filho mais velho não foi tão simples e exigiu tempo e paciência para ambos os lados.

“Na primeira gestação, eu sofri bastante, porque não tinha conhecimento suficiente, embora tivesse estudado e consultado com algumas amigas, mas na hora que a gente vive ali, a gente vê que acaba sendo suscetível ao erro. Então, um dos meus seios ficou bem ferido, porque eu não estava entendendo que a pega estava errada. Eu achando que aquela dor era a dor normal de sentir, não era. Acabou que ficou ferido e eu tive que ficar um mês sem dar aquele seio para ele para esperar cicatrizar, porque não estava cicatrizando”, relembrou.

Tifany Coutinho é mãe de duas crianças e conta a diferença entre as amamentações
Tifany Coutinho é mãe de duas crianças e conta a diferença entre as amamentações |  Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Agora, com mais informações e especialmente, experiência, Thifany passa pelo processo pela segunda vez de maneira mais fácil, e dá dicas para outras mães.

“E com a minha segunda filha, agora, que ela tem quatro meses já é outra realidade. Eu já comecei com uma antecipação com a pomada. Trabalhei com ela melhor a pega, quando eu vi que a pega estava errada, eu tirava ela do seio e colocava de novo, tudo para poder ficar bem ajustado. A gente sabe que precisa que o bebê pegue toda a aréola, não somente o bico. E existem diversas posições que favorecem a amamentação, não apenas deitado. Então, é importante que as mães explorem esses métodos, essas posições diferentes que existem. E com ela (Manuela) foi super tranquilo, porque eu já tinha experiência do primeiro, então no segundo, já consegui organizar melhor as ordenhas, consegui guardar leite. Eu tenho até hoje leite congelado, caso precise”, disse a mãe.

Doações de leite materno

Visto a importância do aleitamento materno, existem casos em que bebê não pode ser alimentado pela própria mãe, como ocorre com as crianças que estão internadas. Então, surge a dúvida: Como esses bebês são alimentados? A resposta é simples: por meio da doação.

No Rio de Janeiro, a doação pode ser realizada no Banco de Leite Humano do IFF/Fiocruz, sendo desde 1987 um  Centro de Referência para a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR).

Podem doar mulheres que estão amamentando, estão saudáveis, que não tomem remédios que interfiram no leite e que apresentam excesso na produção de leite. Para entender passo a passo sobre a doação, acesse.

*Sob supervisão de Cyntia Fonseca

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