Greve dos bancários nesta quinta-feira (20) afeta atendimento presencial; veja como ficam os serviços
A greve ocorre após a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentar uma proposta de reajuste salarial na sétima rodada de negociações da campanha

Bancários de todo o país realizam uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20). A mobilização deve afetar principalmente o atendimento presencial nas agências, enquanto canais digitais, como aplicativos e sites dos bancos, continuam disponíveis para os clientes.
A greve ocorre durante a Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026 e foi aprovada pela categoria após as negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não avançarem em relação às reivindicações dos trabalhadores.
Em Niterói e região, o movimento também reúne trabalhadores da categoria. Segundo Jorge Antonio Martins de Oliveira, de 58 anos, presidente do Sindicato dos Bancários de Niterói e região e funcionário de banco há 41 anos, entre as principais reivindicações estão reajuste salarial, aumento dos benefícios e participação nos lucros e resultados.
“Nossa reivindicação é 5% do INPC mais a reposição de 5% de ganho real, além da atualização do valor dos vales alimentação e refeição, porque o poder de compra de alimentos ultrapassou a inflação. Também pedimos a PLR, participação de lucros e resultados”, afirmou.
Atendimento presencial pode ser afetado
Com a paralisação, serviços que dependem do atendimento presencial podem sofrer alterações. Já operações realizadas por meio dos aplicativos e sites das instituições financeiras devem continuar funcionando normalmente.
Entre os serviços digitais estão pagamentos, transferências e Pix. Os caixas eletrônicos também permanecem como alternativa para operações que não exigem atendimento de um funcionário.
Para Jorge, entretanto, a digitalização dos serviços bancários também representa um desafio para parte da população, especialmente aposentados e pensionistas.
“Com a migração dos funcionários para o ambiente digital, a nossa preocupação é com os aposentados e pensionistas que não têm acesso nem conhecimento dos recursos e ficam vulneráveis. A partir do momento que ficam vulneráveis, são direcionados ao autoatendimento, onde também têm dificuldades”, explicou.
Além das reivindicações salariais, a categoria defende mudanças no funcionamento das agências como uma forma de ampliar o atendimento à população e gerar novos empregos.
“Pedimos a responsabilidade social do banco da seguinte forma: abertura do banco das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho, sem redução de salário. Seriam gerados mais de 120 mil postos de trabalho a nível nacional”, afirmou o presidente do sindicato.
A proposta, segundo ele, está relacionada à necessidade de ampliar o contato entre os bancos e os clientes, especialmente diante do avanço dos serviços digitais.
Os bancários também chamam atenção para as condições de trabalho. De acordo com Jorge, que estava acompanhado de outros funcionários com uma banda e um caixão simbólico com os dizeres: "sangue dos bancários", a cobrança por metas e a pressão no ambiente profissional têm contribuído para o aumento de problemas relacionados à saúde mental entre os trabalhadores.

“A ideia da greve é fazer uma interlocução com a população, porque nós somos trabalhadores, não somos banqueiros, temos as mesmas necessidades que a população. O índice de adoecimento, com metas impossíveis de serem batidas, com burnout e a questão psicológica, avançou muito na categoria”, declarou.
Para o sindicalista, os trabalhadores devem ser considerados parte fundamental da estrutura das instituições financeiras. “O maior patrimônio do banco não são as agências físicas, as máquinas, são os funcionários”, afirmou.
A paralisação dos bancários não altera as datas de vencimento de contas e boletos. Por isso, consumidores que tenham pagamentos previstos para esta quinta-feira (20) devem utilizar os canais digitais dos bancos, caixas eletrônicos ou outras formas de pagamento disponíveis para evitar juros e multas.
A greve tem duração prevista de 24 horas e deve afetar principalmente o atendimento presencial nas agências durante esta quinta-feira.
Como ficam os atendimentos nos bancos?
Com a paralisação, serviços que dependem do atendimento presencial podem ser afetados. Entre eles estão procedimentos que exigem a presença do cliente, como análises mais complexas de crédito, determinadas questões de segurança, coleta de biometria e alguns tipos de suporte.
Já os canais digitais dos bancos devem continuar funcionando normalmente. Clientes poderão realizar operações como Pix, transferências e pagamentos de contas por meio dos aplicativos e sites das instituições financeiras.
Os caixas eletrônicos também seguem disponíveis para serviços como saques e depósitos. A greve dos bancários não altera a data de vencimento das contas. Por isso, boletos e outras obrigações com vencimento nesta quinta-feira (20) devem ser pagos normalmente.