Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda
Medidas fazem parte de plano de reestruturação apresentado no pedido de recuperação judicial, que prevê redução de custos e renegociação de R$ 17,3 bilhões em dívidas

O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas neste mês de agosto, como parte de uma nova etapa do processo de reestruturação financeira da companhia. As informações constam no pedido de recuperação judicial apresentado pela empresa à Justiça de São Paulo.
A varejista entrou com o pedido de recuperação judicial nesse domingo (16), com o objetivo de renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, reduzir custos e reorganizar suas finanças. Segundo a companhia, as medidas são necessárias diante da crise financeira enfrentada pelo grupo.
Na petição, a empresa aponta como fatores que contribuíram para o agravamento da situação o ambiente de juros elevados, a queda no consumo de bens duráveis, o aumento da inadimplência e as dificuldades enfrentadas pelo setor varejista.
A Casas Bahia também cita os impactos da transformação digital no comércio e afirma que começou a adotar medidas de reestruturação ainda em 2023.
Reestruturação começou em 2023
O processo de redução de custos teve início em meados de 2023, com a implementação do chamado Plano de Transformação, criado para diminuir despesas, melhorar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa da companhia.
Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano. A empresa também reduziu aproximadamente 8.600 postos de trabalho.
Além dos cortes, a companhia adotou outras medidas para diminuir as despesas, como redução de estoques, diminuição de investimentos e ajustes nos centros de distribuição.
Em 2024, a Casas Bahia realizou ainda uma recuperação extrajudicial, por meio da qual renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
Naquele momento, a companhia avaliava que a renegociação, aliada à expectativa de redução dos juros e de retomada do consumo, poderia contribuir para a estabilização das contas. No entanto, segundo a própria empresa, o cenário econômico permaneceu desfavorável.
O alto custo da dívida continuou pressionando o caixa, levando à adoção de novas medidas em 2026.
Novos cortes em agosto
Em agosto deste ano, durante a segunda etapa do Plano de Transformação, o grupo realizou uma nova rodada de redução de custos. Segundo os documentos apresentados à Justiça, foram cerca de 3 mil demissões e o fechamento de quase 300 lojas somente neste mês.
Com as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, a Casas Bahia contabiliza aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas desde 2023.
Números da reestruturação
2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho;
2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários;
Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas.
Apesar dos cortes, a companhia afirma que ainda possui mais de 20 mil funcionários e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento.
No pedido de recuperação judicial, a empresa sustenta que a crise é conjuntural e afirma que suas operações continuam viáveis. A companhia também argumenta que a recuperação judicial é necessária para preservar os empregos e garantir a continuidade das atividades.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociarem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O instrumento busca evitar a falência e possibilitar a continuidade das atividades enquanto a companhia tenta recuperar o equilíbrio financeiro.
Segundo a Casas Bahia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.
A empresa informou ainda que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, a medida ainda deverá ser ratificada pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Por que a Casas Bahia chegou à recuperação judicial?
De acordo com a petição apresentada à Justiça, a companhia enfrenta uma combinação de fatores que pressionaram seus resultados nos últimos anos.
Entre os principais motivos citados estão: juros elevados; redução do consumo de bens duráveis; aumento da inadimplência; dificuldades enfrentadas pelo varejo; transformação digital do comércio; alto custo da dívida.
A empresa afirma que as medidas adotadas desde 2023 produziram ganhos, mas não foram suficientes para eliminar a pressão sobre o caixa.