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Carolina luta contra a dor de todo esse mundo

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 17 de agosto de 2016 - 14:50
Imagem ilustrativa da imagem Carolina luta contra a dor de todo esse mundo
Por Renata Sena, Marcela Freitas e Gustavo Carvalho
Carolina é o nome fictício de uma mulher submetida a uma violência real, que faz uma vítima a cada duas horas no Rio: o estupro. Ao longo de 2015, pelo menos 13 mulheres sofreram esse tipo de violência diariamente no estado. Somente em São Gonçalo foram registrados 207 casos neste mesmo período - cerca de quatro por semana -, o que faz da agressão sexual o tipo de crime a qual a mulher está mais exposta na região. A frieza dos números, entretanto, esconde histórias como a de Carolina, estuprada dentro da sua própria casa.
Sexta-feira, dia 9 de dezembro de 2011. A campainha toca. A professora Carolina, à época com 20 anos, abre a porta e fica frente a frente com seu algoz: o homem que a assediava diariamente na rua. Apesar dos gritos de socorro, que ainda ecoam em sua cabeça, ele não parou. Após intermináveis 30 minutos de violência sexual, ele prometeu voltar e ainda debochou: “Vou ser papai”. 
“Eu o conheci a caminho do posto de saúde da minha rua. Ele dizia querer beijar uma menina de aparelho, mas nunca dei confiança. Foi aí que passou a me seguir constantemente e puxar assunto. No dia do crime, meses após o primeiro encontro, ele ligou para o meu celular e não vi o número. Ele ligou para meu telefone residencial sem eu nunca ter passado o número e falou que iria a minha casa. Quando abri a porta, o pior aconteceu”, relembrou, com a tristeza nos olhos.
Logo após o crime, Carolina resolveu buscar ajuda e ligou para uma amiga. “Falei com minha melhor amiga o que havia acontecido. Ela me culpou e disse que eu abri a porta. Achei que fosse realmente culpada. Duas semanas depois, fui à delegacia com outra amiga e o policial que me atendeu tentou me intimidar. Disse que já havia se passado muitos dias e que poderia até me processar por falta de provas. Fui para casa novamente me culpando pelo ocorrido”, lamentou
A professora conta que acabou ficando com depressão, o que diminuiu seu rendimento no trabalho. Foi então que resolveu contar para sua chefa, que a orientou a denunciar o agressor e a buscar apoio psicológico no Movimento de Mulheres de São Gonçalo.
“Ainda levei um tempo para tomar coragem e buscar ajuda. Teria que me abrir para desconhecidos e tinha muita vergonha. Passei a me vestir como homem e não usava maquiagem. Resolvi me enclausurar. Quando finalmente busquei ajuda, passei a dar um novo sentido à minha vida. Denunciei o caso à polícia e sou protegida por determinação judicial (medida protetiva). No ano passado, contei para minha mãe o que havia acontecido. Isso me libertou de mim mesma. Hoje, apesar da dor, eu consigo viver. Não me culpo mais e recuperei a minha feminilidade”, comemorou. 
Quatro anos após o estupro, o homem que estuprou Carolina, um mototaxista, responde ao crime em liberdade. Ele continuou a seguir a jovem e chegou a agarrá-la na rua, após a violência sexual. Ao ser denunciado, em 2013, ele deixou o bairro. No ano passado, chegou a retornar ao local. A jovem acionou a polícia e ele nunca mais foi visto.

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