Debutando na carreira em SG
Faixa Etária acaba de completar 15 anos de estrada, com muita disposição para novos desafios

A banda, que nasceu de um sonho de adolescentes, conseguiu construir uma carreira com apresentações importantes -
Por Thiago Soares
Iniciar uma banda durante os ensinos fundamental e médio é o sonho de muitos adolescentes, não é mesmo? Mas, normalmente, com a pressão das famílias para optar e investir em outros carreiras profissionais, os objetivos acabam mudando, e os grupos são desfeitos. Ao contrário das adversidades e com muita persistência, no entanto, que os amigos gonçalenses Alexandre Brito e Fabrício Araújo, ambos com 30 anos atualmente, deram continuidade à “Faixa Etária”, grupo musical de rock formado em 1998 juntamente com outros colegas. E amanhã, os jovens completam uma marca importante: 15 anos de carreira.
No início, a proposta dos amigos tinha um objetivo simples: juntar uma "galera" para tocar instrumentos durante o tempo livre, fazendo covers de rocks da época em que eram adolescentes. O nome Faixa Etária, inclusive, foi escolhido por condizer com o objetivo do grupo, de inovar para agradar tanto os jovens quanto os saudosos dos clássicos do rock.
Foi em 2001, porém, que a finalidade da banda mudou e passou a ser levada com mais seriedade. “Começamos a ser chamados para tocar em festas e ganhávamos cachê pelo trabalho. Em 2005, com a entrada do guitarrista Filiphe Nunes e Souza, 29, decidimos montar uma equipe, o que nos deu oportunidade para nos profissionalizarmos de verdade”, contou Fabrício.
Atualmente, tanto Fabrício quanto Alexandre e Filiphe possuem uma uma profissão paralela, mas não deixaram de lado a banda, que, de acordo com eles, se tornou um segundo trabalho. Fabrício, que é o baterista da banda, se tornou advogado. Alexandre, o baixista, se profissionalizou em especialista de meio ambiente, saúde e segurança. Filiphe é bancário e guitarrista.
“Ao longo dos anos a ‘coisa’ cresceu muito e passamos a adotar a banda como uma segunda profissão, cenário que dura até hoje. Com o grupo musical, conseguimos manter viva e próxima a amizade construída há anos, além do sentimento ímpar de estar no palco revivendo o rock que marcou gerações e o eterno frio na barriga antes de subir ao palco. Isso é algo mágico”, explicou Alexandre.
Com o crescimento da banda e saída de alguns integrantes da época de escola, os amigos precisaram chamar novos membros para dar continuidade aos trabalhos. Foi, então, no ano passado que convidaram a professora de Geografia e Dança, Márcia Palmar, 35, que também é moradora de São Gonçalo, para participar do grupo como vocalista.
A entrada da Márcia incentivou os amigos a darem continuidade aos trabalhos autorais próprios, projeto iniciado em 2014, mas que teve uma breve pausa por causa da falta de integrantes.
“Tocamos desde rock clássico até os dos dias atuais. Tivemos um trabalho próprio em 2014, mas com a entrada da Márcia estamos reavaliando a retomada do nosso trabalho autoral. A galera tem cobrado e é algo que pretendemos desenvolver após o encerramento do tour desse ano”, declarou Fabrício.
A proximidade do grupo é tanta que eles até compartilham momentos de alegria em comum. Os integrantes consideram um dos maiores momentos de suas histórias uma apresentação, em 2005, um dia após o show da banda de metal americana Dream Theater, em uma casa de shows na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
“Em uma noite, estávamos na plateia assistindo a uma banda que é referência para nós e, no dia seguinte, estávamos vivendo o sonho de tocar no mesmo palco. Foram 24 horas incríveis. O show na Praia de Icaraí, durante o Réveillon desse ano, com um público de 300 mil pessoas, também foi especial”, disse Filiphe.
Toque feminino no microfone
O fato da professora Márcia Palmar ter sido a última integrante a ter entrado em uma banda de garotos não é um fator que incomoda os membros do grupo. Ao contrário, ela explica que a relação é muito boa e de pura amizade.
“Os rapazes são muito gentis e temos uma coisa maior que nos une, que é a música, e isso está acima de qualquer coisa. Sempre que podemos, saímos todos juntos para bater papo. Isso é muito bom. Trabalhamos em equipe para a melhor qualidade dos nossos shows e nas divergências sempre tentamos chegar a um consenso”, explicou.
Márcia iniciou na banda em julho do ano passado e fez seu primeiro show com a Faixa Etária em Cabo Frio. O convite veio pelo celular, através do baixista Alexandre.
“Me chamaram para fazer um teste e eu fui. Uma semana depois me avisaram que eu havia sido escolhida”, disse Márcia.
Nem mesmo o ritmo intenso de conciliar as duas profissões desanima a vocalista.
“Sem dúvida, o ritmo é intenso e exaustivo. Mas a princípio são profissões passíveis de conciliar. Dou aulas de Geografia de manhã e à tarde de dança. As noites são para os ensaios e fins de semana de para os shows. Amo tudo o que faço, então sempre consigo dar conta”, declarou Márcia.