Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0748 | Euro R$ 5,8452
Search

Fábio é inspiração para filho de dois anos

relogio min de leitura | Redação 14 de agosto de 2016 - 13:30
Lucas Araújo é levado pelos pais para treinar na Andef
Lucas Araújo é levado pelos pais para treinar na Andef -
Por Matheus Merlim e Daniela Scaffo
A adoração do pequeno Adryan Gabriel, de apenas 2 anos, por super-heróis é visível, tanto que a roupa do menino não deixa outra interpretação. Mas fugindo da ficção, é dentro de casa que ele encontra o verdadeiro significado de "superpoderes". Adryan é filho da única esperança da região no atletismo paralímpico da Rio 2016: o velocista Fábio Bordignon Júnior, 24.
"Quando eu começo a me preparar para a prova, só penso no Adryan. A minha família é o meu meio para conquistar qualquer coisa. São eles que me incentivam", conta o “paizão” de primeira viagem, que estreia no Jogos Paralímpicos no dia 9 de setembro.
Não é só na paternidade que Fábio é iniciante. A história do velocista no atletismo também é recente. E, curiosamente, o fator principal que o tirou do futebol de 7 para a pista de corrida foi o nascimento do primeiro filho.
"Apesar da minha paixão ser o futebol, depois da Paralimpíada de Londres, em 2012, acabei perdendo espaço na seleção. E eu sentia que precisava continuar trabalhando para dar um futuro para o meu filho. Migrei para o atletismo e mesmo quando o cansaço batia, eu continuava pensando nele", complementa o morador de São Gonçalo.
Durante as competições, é a esposa Alice Ferreira, 18, que precisa conter a animação de Adryan.
"Geralmente, Fábio fica fora uma semana, às vezes duas para competir, e Adryan fica inquieto. Toda hora chama pelo pai. Quando as competições são no Rio, eu até o levo para assistir. Toda vez que gritam o nome de Fábio na arquibancada, ele pula, grita 'papai'. Agora será quase um mês fora, mas é por uma boa causa", comenta Alice.
Além de receber a torcida do filho, o atleta também conta com a ansiedade do pai.
"Meu filho é um garoto especial, que vai ser o exemplo para a cidade inteira. Ele é jovem e mostra para a galera a força do esporte. Já estou a ponto de ter um colapso. Se vendo os colegas de carreira pela televisão já me deixa nervoso, imagina quando chegar a vez dele. O coração precisa ser bom para aguentar", brinca o microempresário Fábio Bordignon, 44.
Para o velocista, o legado mais importante passado pelo pai foi nunca desistir dos sonhos.
"Desde o dia que anunciaram que o Rio seria sede da Olimpíada e da Paralimpíada, começou meu sonho. Eu batalhei muito para ser convocado. Não consegui de um lado, que era o futebol, mas lutei por outro. Isso eu aprendi com meu pai, que é nunca desistir dos meus sonhos", declara o atleta, que nasceu com uma leve paralisia cerebral, acarretando na perda de força e falta de coordenação motora nos braços, além de atrofia em uma das pernas.
Lucas conta com total dedicação dos pais
Lucas Araújo, de 22 anos, também contou com a dedicação do pai, o aposentado Samuel Alves de Araújo, 55, para subir ao pódio da vida e das competições. Juntamente com a esposa, a dona de casa Idenilza Ferreira, 52, Samuel deu incentivo para que o jovem conseguisse realizar seus sonhos no esporte. 
“Como ele era muito pesado e a associação ainda não tinha a van para transporte, eu mesmo me encarregava de levá-lo para que ele pudesse treinar. Toda essa dedicação, tanto minha quanto da minha esposa e principalmente dele próprio, rendeu bons frutos”, contou Samuel.
A dedicação foi evidenciada com a convocação. 
“Ele chorava muito. Eu e minha mãe ficamos emocionados, claro, mas meu pai foi quem mais chorou”, revelou Lucas.

Matérias Relacionadas