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Um ato contra a intolerância

Motorista de ônibus que se negou a transportar candomblecista presta depoimento sob protesto

relogio min de leitura | Redação 13 de agosto de 2016 - 13:50
Religiosos fizeram uma manifestação em frente à delegacia para chamar atenção para o caso
Religiosos fizeram uma manifestação em frente à delegacia para chamar atenção para o caso -

Por Thiago Soares

Um grupo de candomblecistas realizou uma manifestação pacífica, na manhã de ontem, em frente à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo. O objetivo era acompanhar o depoimento de um motorista de ônibus, acusado de se negar a transportar a vendedora Fabiana Figueiredo de Souza, 23, e chamá-la de ‘macumbeira’, na última terça-feira. A jovem estava vestida com a indumentária característica de sua religião.

De acordo com o pai de santo Gilmar Hughes, de 38 anos, coordenador da Comissão de Matrizes Africanas de São Gonçalo (Comasg), o objetivo do protesto foi acompanhar os esclarecimentos prestados pelo acusado à polícia, além de chamar a atenção da população para os casos de intolerância religiosa no município.

“Viemos aqui e fizemos um ato totalmente pacífico. Esta semana aconteceu com uma de minhas filhas, mas isso ocorre o tempo todo. Nós sabemos que vivemos numa sociedade preconceituosa, mas queremos respeito”, comentou

Entre os participantes do protesto havia 11 lideranças de casas religiosas da região, como o pai Ogan José Flávio, 50 anos. “Nós temos de dar publicidade aos casos que estão acontecendo. Se todos que sofressem algo deste tipo fossem à polícia, as coisas se resolveriam mais facilmente. Agora, tanto o profissional quanto a empresa que ele representa sabem que podem ser punidos pela atitude”, declarou o religioso.

Além de ouvir o motorista de ônibus, a delegada Débora Rodrigues, titular da Deam, também analisou imagens das câmeras de segurança do coletivo.

“O rodoviário negou que tenha chamado a menina de ‘macumbeira’. Nas imagens, é possível ver que a jovem entra no ônibus e, depois de alguns gestos do motorista, ela sai. Contudo, como não tem som, as imagens contribuem pouco para o esclarecimento do caso”, relatou a delegada, acrescentando que as investigações continuam.

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