Dona de casa de SG está com barriga aberta há 2 anos à espera de cirurgia

Sônia Lucia Alves Neves, de 57 anos, viu sua vida mudar por completo há dois anos. Diagnosticada com infecção urinária, a dona de casa fez tratamento com antibióticos, que não resolveram o seu problema. Diabética e hipertensa, ela foi internada, em estado grave, no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, em junho de 2014. De lá para cá, ela passou por diferentes cirurgias e está com o abdômen aberto, tendo que ir à unidade de saúde para fazer curativos sem ter o problema solucionado.
Quando ela deu entrada no Heat, os médicos constataram que ela estava com um abcesso (bolsa de tecido inflamatório cheia de pus) no abdômen. Foram seis meses de internação e mais de dez cirurgias até que Sônia recebesse alta. No entanto, seus problemas estavam só começando. Por conta da diabetes, o ferimento aberto não pode ser fechado com pontos, já que todos necrosavam e sempre que eram refeitos, Sônia precisava passar por novas cirurgias.
“Os médicos me mandaram para casa e passei a ir, todos os dias, para o hospital fazer curativos. Em março de 2015, para minha surpresa, tive uma hérnia umbilical. Os médicos falaram que eu iria operar novamente. Me mandaram emagrecer. Só que para que a cirurgia acontecesse, era necessário uma tela, que nunca foi adquirida”, contou.
Sônia, que está com o abdômen completamente aberto, disse que um médico do Heat a mandou buscar outro hospital. “O cirurgião me viu fazendo curativo e me mandou não voltar porque não poderiam me ajudar. Me orientou a buscar um hospital no Rio, porque o Estado não iria comprar a tela, que custa mais de R$ 9 mil. Os enfermeiros falaram que eu não poderia ser abandonada e continuaram me atendendo”, relembrou.
Sônia vai, atualmente, três vezes por semana ao hospital para fazer curativos. Ela compra todos os remédios e insumos necessários. “No começo, eu ia todos os dias, mas o custo com táxi e medicamentos estava muito alto. Conversando com médicos e enfermeiros, combinamos de eu ir em dias alternados, mas não estou mais aguentado tanto sofrimento. Preciso dessa cirurgia”, afirmou Sônia, que ainda contou que nunca mais tomou banho por completo. Sua higiene é feita com pano molhado para evitar que a água entre no ferimento.
Através da assessoria de imprensa, a direção do Heat esclareceu que a paciente é acompanhada pela equipe médica e recebe todos os cuidados necessários. Quanto a cirurgia, a direção informou que a paciente não apresenta condições clínicas para ser operada no momento e aguarda que os exames apontem melhora em seu quadro. Cabe ressaltar que a unidade dispõe do material necessário para a realização da cirurgia da paciente. (Marcela Freitas)