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A dura vida de Francisco

‘Casa’ de morador sob viaduto de Alcântara é incendiada enquanto ele trabalhava guardando carros

relogio min de leitura | Redação 30 de julho de 2016 - 12:55
Francisco perdeu com o incêndio, mas já ganhou móveis e outros pertences para mobiliar a ‘casa’
Francisco perdeu com o incêndio, mas já ganhou móveis e outros pertences para mobiliar a ‘casa’ -

Por Marcela Freitas

“Estava trabalhando guardando carros numa rua perto daqui, quando me informaram que meu barraco estava pegando fogo. Vim correndo desesperado e só pensava na minha cachorrinha. Infelizmente, não consegui salvá-la. O que fizeram foi uma maldade. Não sei de quem partiu essa covardia, mas eu poderia ter morrido também. Talvez essa fosse a intenção”.

O relato emocionado é do guardador de carros Francisco Menezes, de 31 anos, que mora há três anos e sete meses numa casa improvisada, sob o viaduto de Alcântara, junto com a mulher, Carol, de 18 anos, grávida de quatro meses.

No último domingo, um incêndio supostamente criminoso, pôs fim às poucas coisas que o casal havia conquistado. Francisco contou que ele e a esposa saíram, por volta das 21h, para trabalhar como guardadores de carro próximo a um agência bancária, também em Alcântara. Cerca de quatro horas depois, populares contaram que os bombeiros estavam combatendo um incêndio no viaduto.

“Quando cheguei aqui só pensava na Shakira, que não tinha como se defender. Quando as chamas foram apagadas, vi que ela estava morta. Até hoje me dói falar. Eu amo meus cachorros. O Bob Marley estava conosco. Ele sempre me acompanha e graças a Deus se salvou”, comentou emocionado.

O guardador de carros contou que é a terceira vez que sua ‘casa’ é incendiada. “Não acredito que tenha sido nenhum morador do bairro. Até porque são eles que estão me ajudando a recuperar o que eu perdi. Já ganhei cobertores, um colchão e alimentos”, concluiu.

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