Trabalho preventivo em São Gonçalo
Defesa Civil tem aplicativo sobre áreas de risco, previsão do tempo e ações do órgão na cidade

Você sabe a diferença entre inundação e enchente? Ou, por exemplo, que no intervalo de 20 anos (1995-2015), São Gonçalo registrou ocorrências relacionadas aos movimentos de massa, conhecidos também como deslizamentos em 78 bairros? Essas e outras informações necessárias para conhecer a geografia do local onde se habita estão disponíveis desde 2014 em um aplicativo criado por dois técnicos da Defesa Civil de São Gonçalo. Disponível por meio de uma plataforma independente, o “gadget” contém ainda a previsão meteorológica e as ações realizadas pelo município sobre as incidências de fenômenos naturais.
Formados pela Universidade Estadual do Rio (FFP-Uerj), no campus do Patronato, os geógrafos Enzo Merlim, de 25 anos, e Ana Carolina Barbosa, de 24, trouxeram de dentro da faculdade, o “know-how” necessário para realizar todo o estudo de mapeamento das áreas de risco em São Gonçalo. Durante dois anos, foram inúmeras visitas em bairros com um aparelho de GPS nas mãos para observar de perto os locais onde foram registradas ocorrências no período estudado, de 1995 a 2015.
De acordo com Ana Carolina, apesar de áreas mais próximas de Maricá apresentarem o relevo mais propício para a incidência de movimentos de massa ou deslizamentos, foi na região contrária o maior número de casos registrados. O bairro mais afetado por esse tipo de ocorrência foi o do Engenho Pequeno, com 99 registros. Em seguida, aparece a região do Novo México, com 64 notificações.
“Isso acontece por conta da composição demográfica desses bairros. Em regiões mais afastadas, existe um número menor de pessoas habitando, ou seja, mesmo que ocorra a incidência desses movimentos de massa, não se é notificado. Já o Engenho Pequeno, que tem mais de 12 mil moradores, o número de casos acaba sendo maior”, destaca a geógrafa, responsável por mapear as ocorrências de deslizamentos na cidade.