Obras do estado reprovadas
Moradores de SG denunciam buracos após intervenções da Secretaria Estadual de Ambiente

Por Matheus Merlim e Marcela Freitas
Uma obra para construir o sistema de saneamento em alguns bairros de São Gonçalo, realizada pela Secretaria Estadual de Ambiente (SEA), está causando transtornos para moradores da Trindade, onde ocorre grande parte das intervenções. Além de buracos no asfalto de várias ruas, a obra tem resultado em problemas ainda maiores para a saúde das pessoas, por conta de poeira constante.
De acordo com a Acciona Água, empresa responsável pela obra, o projeto foi licitado em 2014 no valor de R$354 milhões e inclui uma estação de tratamento de esgoto (ETE Alcântara) e suas redes coletoras em consórcio com as empresas Serveng e GEL. A obra prevê, ainda, a recuperação ambiental das bacias dos rios Alcântara e Mutondo.
As intervenções estão planejadas para serem executadas no prazo de 36 meses (três anos). Segundo moradores da Trindade, as instalações de tubulações começaram há cerca de três meses.
“O problema não é a obra em si, até porque é necessário ter esse sistema de esgoto, mas sim o jeito como é feito. Eles abrem um buraco por toda a rua e fecham apenas com entulhos. Além de que, quebraram para colocar o encanamento, mas não fizeram a ligação das casas. Ou seja, vão precisar quebrar de novo. Vão fazer dois trabalhos”, contou o aposentado Vilmar Ferreira Bastos, de 74 anos, morador da Rua Juiz de Fora.
Os transtornos ficam ainda pior quando se trata da saúde. Segundo o operador de telecomunicações Marque Amorim, 50, que mora há seis anos na Rua Justo Brito Sanches, a poeira gerada em função das obras causa problemas respiratórios em alguns familiares. “Minha filha teve crise respiratória por causa da poeira que sobe. Eles não jogam uma água”, relatou.
Bairro Antonina sofre com o mesmo problema
Na Rua Otoniel Mota, no bairro Antonina, as queixas são as mesmas. Dois grandes buracos abertos na via estão tirando o sono dos moradores. “Há quase um mês, eles abriram esses buracos e abandonaram as obras. O buraco tem mais de um metro e está cheio de água, que também pode ajudar na proliferação do mosquito Aedes Aegypti. E estou muito nervosa com essa situação”, disse a aposentada Idivanir Gouveia Barbosa, de 76 anos.
O aposentado Adilson Silva disse que já indagou os engenheiros sobre o fim da obra, mas não obteve respostas. “Não aguento mais chegar em casa e cair com meu carro nesses buracos. Eles acabaram com o nosso asfalto. Todos os dias sujo meu carro de lama”, reclamou.
Responsável pela obra, a SEA informou que esta é a primeira etapa do Sistema de Esgotamento Sanitário de Alcântara, que inclui a instalação de 92 km de rede coletora que irá garantir 17,4 mil novas ligações domiciliares à rede de esgoto. Com a ETE em operação, 1,2 mil litros por segundo de esgoto in natura deixarão de ser lançados nos rios Mutondo e Alcântara. A secretaria esclareceu, ainda, que a recolocação do asfalto não é imediata após o fechamento dos buracos abertos pela obra. Segundo a SEA, é preciso esperar um tempo para que o solo, que foi mexido, esteja novamente pronto para receber o asfalto, e que por isso, a recomposição final do asfalto só pode ser feita após o término das obras.