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Copa do Mundo 2026 exige atenção ao bolso: veja oito cuidados para evitar que a paixão vire problema financeiro

Gastos relacionados ao evento podem atingir valores expressivos; especialista esclarece

relogio min de leitura | Escrito por Redação 09 de junho de 2026 - 11:03
Planejamento é fundamental para que a Copa não se transforme em um fator de desequilíbrio financeiro
Planejamento é fundamental para que a Copa não se transforme em um fator de desequilíbrio financeiro -

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já começou e, junto com a expectativa pelos jogos, cresce também a movimentação econômica em torno do evento. Realizada pela primeira vez em três países simultaneamente, Estados Unidos, Canadá e México, a competição promete impulsionar diversos setores, desde o varejo de eletrônicos até o turismo, passando por produtos licenciados, serviços de streaming, bares, restaurantes e plataformas de apostas esportivas.

No Brasil, a Copa tradicionalmente altera hábitos de consumo. A compra de televisores, camisas oficiais, álbuns de figurinhas e itens temáticos ganha força à medida que o torneio se aproxima. Além disso, novas despesas passaram a fazer parte da realidade dos torcedores nos últimos anos, como assinaturas de plataformas digitais para acompanhar os jogos e a crescente participação em apostas esportivas online.

Um ponto que chama a atenção dos especialistas é que, quando somados, os gastos relacionados ao evento podem atingir valores expressivos. Troca de televisão, compra de produtos oficiais, confraternizações frequentes, assinaturas de serviços, apostas e outras despesas podem representar um desembolso equivalente ao custo de uma viagem de férias para muitas famílias. Por isso, o planejamento é fundamental para que a Copa não se transforme em um fator de desequilíbrio financeiro.

Embora a competição represente um momento de celebração e integração entre amigos e familiares, especialistas alertam que a empolgação pode levar muitas pessoas a tomarem decisões impulsivas, comprometendo o orçamento por meses após o encerramento do torneio.

Segundo Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, a principal recomendação é que o torcedor não permita que a emoção substitua o planejamento. "A Copa do Mundo é um evento que desperta paixão e entusiasmo, mas as decisões financeiras precisam continuar sendo racionais. O problema não está em gastar para aproveitar o momento, mas em fazer isso sem planejamento, comprometendo recursos destinados a necessidades mais importantes ou gerando dívidas futuras. Quando a pessoa soma todos os gastos que costuma fazer durante uma Copa, muitas vezes percebe que está investindo um valor que poderia ser destinado a uma viagem, a um sonho ou a um objetivo importante para a família", afirma.

Para ajudar os consumidores a aproveitarem a competição sem colocar a saúde financeira em risco, o especialista destaca oito orientações fundamentais:

1. Crie um orçamento específico para a Copa

Antes de realizar qualquer compra ou programar gastos relacionados ao torneio, é importante definir um valor que poderá ser destinado ao evento sem comprometer as finanças da família.

"O orçamento é o principal instrumento para evitar excessos. Quando existe um limite previamente estabelecido, a pessoa consegue aproveitar o momento sem perder o controle financeiro", explica Domingos.

2. Evite compras motivadas apenas pela empolgação

Promoções e campanhas publicitárias costumam se intensificar durante a Copa. Por isso, é importante avaliar se a aquisição de uma televisão nova, por exemplo, atende a uma necessidade real ou se está sendo impulsionada apenas pelo clima do evento.

3. Cuidado com parcelamentos longos

Uma das armadilhas mais comuns é financiar gastos que continuarão sendo pagos muito depois do fim da competição.

"Muitas pessoas fazem compras para um evento que dura poucas semanas e acabam carregando parcelas durante boa parte do ano. É preciso refletir se vale a pena prolongar esse compromisso financeiro", alerta o especialista.

4. Planeje as confraternizações

Assistir aos jogos em grupo é uma tradição entre os brasileiros, mas os gastos com alimentação e bebidas podem surpreender.

A recomendação é dividir custos entre os participantes e evitar despesas que não estavam previstas no orçamento.

5. Estabeleça limites para os gastos com figurinhas e produtos temáticos

O álbum da Copa continua sendo um dos maiores sucessos entre crianças e adultos. No entanto, a busca pelas figurinhas pode representar um gasto significativo quando não existe planejamento.

"Não há problema em colecionar ou adquirir produtos ligados ao evento, desde que isso aconteça dentro de um limite financeiro previamente definido. O lazer também precisa fazer parte do planejamento", ressalta Domingos.

6. Atenção máxima às apostas esportivas

As apostas esportivas se tornaram uma das principais preocupações dos especialistas em educação financeira nos últimos anos. Com a popularização das BETs, muitas pessoas passaram a enxergar essa prática como uma forma de ganhar dinheiro, quando na realidade ela envolve riscos elevados e pode gerar perdas significativas.

"É importante fazer uma distinção clara. Participar de um bolão entre amigos, com valores simbólicos e caráter recreativo, faz parte da diversão que envolve a Copa do Mundo. Já as apostas esportivas online exigem muito cuidado, pois podem estimular gastos recorrentes e até comportamentos compulsivos", alerta Reinaldo Domingos.

Segundo o especialista, as BETs não devem ser encaradas como investimento nem como alternativa para complementar renda. "Quem aposta acreditando que vai resolver problemas financeiros pode acabar agravando ainda mais a situação. A recomendação é ter cautela máxima e compreender que existe sempre o risco de perder dinheiro", conclui.

7. Organize-se com antecedência para viagens

Para os torcedores que pretendem acompanhar a Copa presencialmente, o planejamento deve incluir passagens, hospedagem, alimentação, transporte, seguro viagem e custos relacionados à variação cambial.

Quanto maior a antecedência, maiores as possibilidades de economizar e evitar o uso excessivo de crédito.

8. Valorize a experiência, não o consumo

A Copa é, acima de tudo, um momento de convivência e celebração. Reunir amigos e familiares em casa pode proporcionar experiências tão marcantes quanto programas mais caros.

"O que torna a Copa especial são as emoções compartilhadas e não o valor gasto para acompanhar os jogos. Quando as pessoas entendem isso, conseguem aproveitar muito mais o evento sem colocar seus sonhos financeiros em risco", conclui Reinaldo Domingos.

Para o especialista em educação financeira, a Copa do Mundo deve ser encarada como qualquer outro objetivo de consumo: algo que merece planejamento, organização e escolhas conscientes. Dessa forma, o torcedor pode aproveitar toda a emoção do maior evento do futebol mundial sem transformar a festa de hoje em um problema financeiro amanhã.

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