Dia Internacional da Mulher Negra
Prefeitura de São Gonçalo
No dia 25 de julho será comemorado o Dia Internacional da Mulher negra, latino americana e caribenha. Antecipando a comemoração, a Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres de São Gonçalo realizou nesta sexta-feira (08), na 62ª reunião da Rede Mulher, um encontro para homenagear e debater a história de luta e resistência da mulher negra. Dentre os assuntos abordados, o racismo e a violência sistemática contra a população negra foram as pautas principais do encontro.
Não por acaso os números assustam: 60% da mortalidade materna no Brasil ocorre entre mulheres negras, de acordo com a campanha SUS sem racismo, do Ministério da Saúde; Entre 2003 e 2013 o número de assassinatos de mulheres negras cresceu em 54,2%, mil mortes a mais em 10 anos, segundo o Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil; ainda segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do final de 2015, mulheres negras são as maiores vítimas de violência doméstica no Brasil.
Para dar o tom ao debate, a palestrante convidada foi a 1ª tenente Assistente social do Exército Brasileiro e doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jussara Assis.
"A história da mulher negra é construída na coletividade, por isso esse debate é tão importante. De fato somos um país miscigenado, mas precisamos aprender a valorizar a diversidade e não transformar isso em racismo e preconceito. Isso é um caminhar constante, porque ainda falamos muito pouco sobre racismo. Quando fazemos isso não é nenhum segregacionismo, nós estamos apenas reconhecendo e lutando pelos nossos direitos", destaca.
Luta. Palavra usada com frequência entre depoimentos e relatos das mulheres presentes, como é o caso da estudante de Psicologia e coordenadora do projeto África em Nós, Tainara Cardoso, de 22 anos.
"Temos como proposta o diálogo em combate ao racismo, prioritariamente, nas escolas, compreendendo esses espaços não só em relação à aprendizagem sistematizada, mas também responsável por uma formação social de cada uma dessas crianças e adolescentes, em sua maioria, pobres e negros. Hoje, tivemos a oportunidade de pôr esse diálogo em dia e conhecer as inúmeras produções que têm sido feitas em São Gonçalo. Podemos, sem dúvida, considerar esse momento de luta histórico para a nossa cidade. Estou emocionada!", relatou.
Além da roda de conversa, a programação teve como marco a retomada das atividades do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Relações Raciais e Educação. Vinculado a secretaria Municipal de Educação, o grupo de pesquisas será reaberto na sede do Centro de Referência em Educação e Formação Continuada (Crefcon) de São Gonçalo, localizada no Barro Vermelho. A proposta, aberta aos profissionais da Educação e ao público em geral, visa formar grupos de estudo e pesquisa sobre a população negra, indígena, a implementação da Lei 10.639 nas escolas, dentre outros. A secretaria dará início a chamada pública para as reuniões a partir dos próximos meses.
Números da violência contra a mulher em São Gonçalo – Lançado no início de junho pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), o Dossiê Mulher revelou que o município de São Gonçalo está no ranking das 10 cidades com maior índice de violência contra a mulher. Entre 2014 e 2015, a nível Estadual, a cidade ficou em 7º lugar por número de homicídio doloso, com 48 vítimas, 62 vítimas de tentativa de homicídio e violência moral, com 3.785; 5º lugar em violência patrimonial, com 783; 3º lugar em lesão corporal dolosa, com 5.344 vítimas e 524 de violência sexual e 2º lugar em violência psicológica, com 6.604 vítimas.