Comerciários denunciam filas, demora e dificuldades para entregar carta de oposição em sindicato de Niterói
Sob sol forte e altas temperaturas, trabalhadores aguardam por horas na fila

Desde segunda-feira, trabalhadores do comércio de Niterói e de cidades da Região Metropolitana enfrentam longas filas e denunciam uma série de dificuldades para entregar a carta de oposição às contribuições assistenciais e confederativas no sindicato da categoria, localizado no Centro da cidade. Logo nas primeiras horas da manhã, a movimentação já é intensa. Sob sol forte e altas temperaturas, trabalhadores aguardam por horas na fila, muitos sem qualquer tipo de estrutura ou proteção. Mesmo chegando cedo, há relatos de que o atendimento não é garantido no mesmo dia.
Além da demora, quem está no local também aponta problemas no atendimento prioritário. Segundo relatos, apesar da orientação de prioridade para gestantes, idosos e pessoas com necessidades específicas, a organização da fila gera confusão e nem sempre garante o atendimento adequado a esses grupos. A vendedora Regiane Monteiro, de 38 anos, contou que esteve no local no dia anterior, mas não conseguiu ser atendida. “Ontem eu cheguei por volta de três da tarde e a fila estava menor, mas não fomos atendidos. Ficamos horas esperando e simplesmente fecharam as portas”, relatou. Segundo ela, além da demora, o atendimento tem gerado insatisfação entre os trabalhadores. “Eles estão lendo carta, reclamando de tudo, tratando as pessoas muito mal. Nem para dar uma senha para quem já estava na fila”, afirmou.
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O gerente de marketing Herbert Fernandes, de 46 anos, também enfrentou a situação por dois dias consecutivos e criticou a obrigatoriedade da entrega presencial da carta de oposição. “É um absurdo. Você precisa trazer carta de próprio punho, em duas vias, carteira de trabalho e ainda vir presencialmente. Não aceitam e-mail. Ontem fiquei quatro horas na fila e não fui atendido”, disse. De acordo com ele, a situação gerou revolta entre os trabalhadores que estavam no local. “Chamamos a polícia porque havia centenas de pessoas aqui e simplesmente fecharam o atendimento. Quem está na fila deveria ser atendido. A gente não está aqui passeando, está perdendo horas de trabalho”, afirmou.

Herbert também questiona a estrutura e os benefícios oferecidos pelo sindicato. “Você paga uma contribuição e não tem retorno nenhum. Não tem benefício, não tem desconto, não tem nada que justifique essa cobrança”, criticou. O gerente de marketing também falou sobre a estrutura oferecida pelo sindicato diante da grande demanda. “Colocam uma pessoa para atender todo mundo. Não tem senha, não tem organização. Parece que é tudo feito para dificultar”. Outros trabalhadores também relatam problemas semelhantes. A coordenadora administrativa Elisângela Madureira da Silva, de 53 anos, contou que chegou antes das oito da manhã e já encontrou uma longa fila. “Cheguei cedo e já tinha mais de cem pessoas na minha frente”, disse.

Já a analista de T.I Paula Lopes, de 54 anos, criticou a falta de alternativas para a entrega da documentação. “Hoje, com tanta tecnologia, poderiam receber por e-mail. É uma humilhação passar por isso por algo que a gente não quer”, afirmou. Os trabalhadores também relatam prejuízos financeiros, muitos precisam se ausentar do trabalho para comparecer ao local e acabam tendo descontos no salário ou precisam compensar as horas posteriormente. “Essas horas vão ser descontadas. A gente perde tempo e dinheiro para resolver uma situação que poderia ser simples”, completou Paula.

A reportagem entrou em contato com o sindicato para solicitar um posicionamento sobre as denúncias, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Sob supervisão de Marcela Freitas