Literalmente a ver navios...
Setor naval da região perde cinco estaleiros e 12,7 mil funcionários são demitidos num ano

Por Marcela Freitas
Há um ano, o setor naval vive uma das piores crises. O encerramento das atividades do Estaleiro Eisa Petro Um (Estaleiro Mauá), em julho do ano passado, um dos mais tradicionais do setor, deixou seus funcionários literalmente à deriva. Passado um ano da demissão em massa, o cenário é ainda pior. Dos 10 estaleiros de Niterói, cinco deles fecharam as portas. O último a encerrar as atividades, o Vard Niterói, demitiu seus 1,3 mil funcionários na última sexta-feira. Com isso, chega a 12,7 mil o número de demitidos. Hoje, apenas 1,8 mil funcionários ainda estão no setor.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Edson Rocha, o setor está mergulhado no caos. “Esse número de empregados demitidos registrados pode ser ainda maior, já que as pequenas empresas não anunciam ao sindicato essas demissões. É um efeito cascata na categoria. As empresas estão pedindo acordo até para as rescisões. Estamos levando esses casos para o Ministério Público do Trabalho para que seja feito tudo dentro da lei”, contou. Ainda segundo Edson, o sindicato luta para que todas as rescisões de antigos funcionários da Eisa Petro Um sejam pagas. “Temos uma ação judicial na 3ª Vara do Trabalho de Niterói movida pelo Ministério Público do Trabalho e o Sindicato cobra o pagamento de todas as indenizações. Neste momento, estamos tentando desbloquear R$ 18 milhões que estão na conta vinculada da Mauá com a Transpetro para pagamento das rescisões”, afirmou. Trabalhadores – Os gonçalenses Gilvandro Souza, de 53 anos; Paulo César da Cruz, 35, e Carlos Alberto Gonçalves, 58, eram funcionários da Mauá e também não receberam suas indenizações. “Não recebemos quase nada. Nosso fundo de garantia (FGTS) não era depositado regularmente. Não recebemos os 40% e nem a indenização pelo fim do trabalho. Eu, como meus colegas, estou há mais de um ano em busca de uma recolocação. Não fazemos exigências para cargos nessa área. Até faxina estamos aceitando, mas não tem vagas. Se recebêssemos ao menos nossa indenização, poderíamos nos segurar por mais um tempo”, disse Paulo, operador de equipamento.
O caldeireiro Gilvandro disse que sai todos os dias para buscar uma oportunidade. “Minha esposa tem problemas cardíacos e gasto com o tratamento dela mais de R$ 300. Venho fazendo bicos, mas não é o suficiente”, afirmou.