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Com homenagens a Arlindo Cruz, Preta Gil e Jorge Aragão, Monobloco encerra o Carnaval de Rua do Rio com energia contagiante

Bloco liderado pelo cantor Pedro Luís faz desfile empolgante no Centro da cidade

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 22 de fevereiro de 2026 - 15:41
Monobloco
Monobloco -

Com o tema “Pode entrar que a casa é sua”, o Monobloco levou cerca de 80 mil foliões ao Circuito Preta Gil, no Centro do Rio, fechando com chave de ouro o Carnaval de Rua do Rio na manhã deste domingo, 22 de fevereiro. Entre os destaques do desfile estavam as homenagens aos sambistas Arlindo Cruz e Jorge Aragão, além da cantora Preta Gil, que dá nome ao circuito.

“Em 2026, mostramos que o Rio segue como referência no carnaval de rua, cada vez mais preparado para receber essa grande festa. Centenas de blocos levaram alegria a cariocas e turistas, com ordenamento urbano, infraestrutura e limpeza. O encerramento com o tradicional desfile do Monobloco, no circuito de megablocos da Rua Primeiro de Março, simboliza esse trabalho. Entregamos um Carnaval organizado e alegre por toda a cidade”, declarou o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.

Um dos ícones do samba carioca, o cantor e compositor Arlindo Cruz, que nos deixou em agosto do ano passado, foi relembrado com músicas como “O show tem que continuar” e “Samba de Arerê”, cantadas em coro pelos foliões que desde cedo aguardavam o desfile do bloco. Já Preta Gil foi homenageada com as canções “Só o Amor” e “Sinais de Fogo”, que emocionaram a multidão.

"Quero agradecer a todos vocês que acompanham o Monobloco todos esses anos. Essa é a colação de grau dos nossos ritmistas em grande estilo", exaltou o cantor Pedro Luís. Entre as novidades no repertório está a canção “De Mala e Cuia”, sucesso do álbum Dominguinho, de João Gomes, Mestrinho e Jotapê.

O mestre Jorge Aragão, cujas composições estão no novo álbum do Monobloco, “Mar de Aragão”, embalou boa parte do desfile, com sucessos como “Eu e você sempre”, “Papel de Pão” e “Do fundo do nosso quintal”.

Em seu 26º desfile, o Monobloco também não deixou de fora os clássicos de seu repertório, como “É hoje”, “Taj Mahal” e “Fio Maravilha”, para delírio de quem não queria que a folia acabasse. O bloco contou ainda com as participações de Mariá, mulher de José Gil, que cantou “Sinais de Fogo” em homenagem à cunhada Preta Gil, e Chico Chico, filho da Cássia Eller.

“Na década de 90 conheci uma figura que é uma das maiores vozes da MPB. E hoje eu tenho a honra de chamar o filho dela pra cantar aqui no Monobloco”, disse Sidon Silva antes de anunciar a participação de Chico Chico para cantar “Segundo Sol”.

A carioca Milene Mouras, percussionista do Monobloco, toca surdo e fez seu primeiro desfile. “Sou fã do Monobloco e já vinha para o desfile. Ano passado consegui entrar na oficina e esse é o meu primeiro desfile. É a realização de um sonho. Eu comecei a namorar o meu marido depois do desfile do Monobloco e hoje a gente está comemorando aqui nós dois tocando na bateria nossos sete anos de casamento”.

Rita Oliveira, moradora de Santíssimo, acompanha o Monobloco desde que ele desfilava na orla da Zona Sul. "É uma história de amor com o Monobloco. Não tenho mais pique para curtir tantos blocos como curtia há 20, 25 anos. Mas esse bloco eu não largo. A primeira vez que acompanhei o desfile eu era solteira. Hoje estou casada, tenho duas filhas adolescentes e elas vêm comigo todos os anos”, contou.

Com uma parceria que já dura 11 carnavais, integrantes do tradicional Cacique de Ramos são presença importante no desfile do Monobloco. Luiz Carlos Lima, mais conhecido como Boneco do Cacique. deu detalhes sobre essa parceria.

“Acabou virando uma tradição desfilar junto com o Monobloco. É um ciclo de encerramento do Carnaval que a gente participa. A gente começa na sexta-feira de Carnaval e encerra hoje no Monobloco. Todo ano é uma sensação indescritível. Temos uma amizade forte com o Celso, com o Pedro. É uma coisa de família”, disse.

Conhecido pela diversidade de ritmos, o Monobloco passeou por diversos estilos, indo do pop ao funk, passando pelo pagode, forró, axé e MPB, sem esquecer dos sambas-enredo e clássicos como “Peguei um Itá no Norte”.

“O desfile do Monobloco é sempre um grande passeio pela música brasileira: tem samba, pagode, forró, música da Bahia, além dos nossos hinos autorais ‘Arrastão da Alegria’ e ‘Funk do Monobloco’”, destacou Celso Alvim, mestre de bateria do bloco.

Criado em 2000 a partir de uma oficina de percussão idealizada por integrantes do grupo Pedro Luís e a Parede, o Monobloco ultrapassou o formato original de batucada e se consolidou como referência na renovação dos blocos de rua no Rio. Ao longo de mais de duas décadas, o projeto formou centenas de ritmistas por meio de oficinas e construiu uma bateria reconhecida pela potência sonora, diversidade rítmica e precisão musical.

A programação completa de blocos de rua do Carnaval 2026 contou com 427 desfiles ao todo e atraiu um público diverso e animado em todas as regiões da cidade.

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